09 novembro 2010

SOLIDARIEDADE NA PERSPECTIVA KARDECIANA

O que é solidariedade? Para os egoístas a palavra reverbera perturbadora. Incomoda porque o seu verdadeiro significado impõe mobilização de recursos em favor do próximo. Fundamenta-se em valores que não conseguimos quantificar. Mas, o que é ser solidário? É sentir a necessidade íntima de partilhar, é querer ir mais além, é perceber que a alegria de dar é indiscutivelmente superior à de receber; é estender a mão ao próximo sem olhar sua raça, condição gênero, conta bancária. A internalização do sentimento solidário torna-nos efetivamente pessoas melhores.  A solidarização é o “sentimento de identificação com os problemas de outrem, o que leva as pessoas a se ajudarem mutuamente”
(1). É uma maneira de assistência moral e espiritual que se concede a alguém, seja por simpatia, piedade ou senso de justiça. No sentido de laço de união fraternal que une as pessoas, pelo fato de serem semelhantes, chamamos de solidariedade humana. É compromisso pelo qual nos sentimos em obrigação umas em relação às outras, ou seja, é a interdependência e a reciprocidade.
Infelizmente vivemos num ambiente social de quimeras postergadas, de sonhos frustrados, de mentes cansadas, numa sociedade de nódoas morais, de “mentes vazias” e atoladas nas futilidades hodiernas, isoladas no cipoal do “ego” enregelado. Vivemos completamente mergulhados na vida egocêntrica, que nos remete irreversivelmente à solidão. O Espírito Emmanuel ressalta que “a técnica avançou da produção econômica em todos os setores, selecionando o algodão e o trigo por intensificar-lhes as colheitas, mas, para os olhos que contemplam a paisagem mundial, jamais se verificou entre os encarnados tamanha escassez de pão e vestuário. Aprimoraram-se as teorias sociais de solidariedade e nunca houve tanta discórdia”
(2). Os males que afligem a Humanidade são resultantes exclusivamente do egoísmo (ausência de solidariedade). A eterna preocupação com o próprio bem-estar é a grande fonte geradora de desatinos e paixões desajustantes. A máxima "Fora da Caridade não há Salvação"
(3) é a bandeira da Doutrina Espírita na luta contra o egoísmo. A solidariedade é a caridade em ação, a caridade consciente, responsável, atuante, empreendedora.  Os preceitos espíritas contribuem para o progresso social, deteriora o materialismo, faz com que os homens compreendam onde está seu verdadeiro interesse. O Espiritismo destrói os preconceitos “de seitas, de castas e de raças, ensina aos homens a grande solidariedade que deve uni-los como irmãos”
(4). Destarte, segundo os Benfeitores espirituais, “quando o homem praticar a lei de Deus, terá uma ordem social fundada na justiça e na solidariedade”
(5). A recomendação do Cristo “que vos ameis uns aos outros como eu vos amei”(
(6). Assegura-nos o regime da verdadeira solidariedade e garante a confiança e o entendimento recíproco entre os homens. A solidariedade na vida social é como o ar para o avião.
O avião, apesar de toda tecnologia, se não tiver ar ele não voa. A prática desse sentimento vivifica e fecunda os germens que nele existem, em estado latente, nos corações humanos. A Terra, local de provação e de exílio, será pacificada por esse fogo sagrado e verá exercido na sua superfície a caridade, a humildade, a paciência, o devotamento, a abnegação, a resignação e o sacrifício, virtudes todas filhas do amor e da solidariedade.
É imprescindível darmo-nos, através do suor da colaboração e do esforço espontâneo na solidariedade, para atender, substancialmente, as nossas obrigações primárias, à frente do Cristo
(7). Ante as responsabilidades resultantes da consciência doutrinária, que nos impõe a superar a temática de vulgaridade e imediatismo ante o comportamento humano, em larga maioria, a máxima da solidariedade apresenta-se como roteiro abençoado de uma ação espírita consciente, capaz de esclarecer e edificar os corações, com a força irresistível do exemplo.

Jorge Hessen
http://jorgehessen.net

 Fontes:

(1)       Cf. Dicionário Caldas Aulete
(2)       Xavier, Francisco Cândido.  "Fonte Viva" ditada pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1992
(3)       Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, Cap. XV
 4)       Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2000,  pergunta 799
(5)       idem  perg.
(6)       Jo 15.12
(7)       Xavier, Francisco Cândido.  "Fonte Viva" ditada pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1992

Crianças perversas

 Este é um assunto difícil da gente abordar, tendo em vista o nível de hipocrisia de muitas pessoas, que adoram “tapar o sol com a peneira”, fingir que não sabem aquilo que todo mundo sabe, preferir que não se fale em coisas que são realidades. Há até os que acham que o recomendável é que não se fale, porque não é “politicamente correto”, “as pessoas podem não gostar de você tratar deste assunto”, e por aí vai.

Falo do problema das crianças e adolescentes de índoles más, crianças perversas e possuidoras de mau caráter.

A foto ao lado é da atriz mirim, Clara Castanho, que faz o papel de uma criança complicada, na novela da Globo.

Nós vivemos em um país onde impera um elevado nível de demagogia e hipocrisia, onde vigora um estatuto da criança e do adolescente com muita coisa boa pelo meio, mas que é, também, um festival de idiotice, mas que ouvimos da boca de muitos brasileiros presunçosos que afirmam ser este o melhor estatuto do mundo, do mesmo jeito que dizem, também, que a nossa ridícula lei trabalhista é a melhor do mundo, que a nossa economia é a melhor do mundo... e haja melhor do mundo, em nosso País. Só falta dizer que os nossos políticos são os melhores do mundo.

Há séculos e milênios todo mundo sabe da existência da criança má, a criança que já nasceu com índole agressiva, perversa e desonesta, mas ninguém que admitir.

Todo o mundo vê por aí, a todo instante, crianças que são verdadeiras pragas.

Creio que você já deve ter percebido muitos pais, diante das maldades, vícios e atos desonestos dos seus filhos, afirmarem:

- “Ele está fazendo isto, por causa das más companhias. Aqui em casa ninguém faz isto”.

Na maioria das vezes, a criança não faz isto por causas das más companhias, como os seus pais querem fazer crer; pelo contrário, ela que é a má companhia, a peça ruim do grupo de crianças ou adolescentes em que vive, mas os pais não querem admitir nunca.

Má companhia é sempre o filho dos outros, o nosso nunca.

Quanto a costumeira alegação do “aqui em casa ninguém faz isto”, também não faz sentido porque em muitos lares muitos pais cometem atos não recomendáveis, diariamente, inclusive na frente dos filhos. Não tem sentido, por exemplo, um casal fumante se achar surpreendido, quando vê um filho ou uma filha de 13 anos fumando e vir dizer que é coisa das más companhias. Está querendo enganar a quem?

Mas o objetivo desta matéria não é nem falar dos vícios, embora estejam crescendo assustadoramente os índices de adolescentes que começam a beber e a fumar cada vez mais cedo, o que é uma vergonha para a sociedade. O que quero falar é sobre a perversidade, mesmo, a ruindade, o instinto perverso, agressivo, traiçoeiro, desonesto e mau caráter de muitas crianças e adolescentes.

Você já deve ter ouvido, também, muitos pais, que tem filhos absolutamente diferentes uns dos outros, dizerem: “Eu gosto de todos os meus filhos, de forma igual. Não gosto de um mais do que o outro. Sinceramente.”.  Ainda botam o “sinceramente” no final da frase, para dar consistência àquela sua falsidade, quando na verdade se trata de uma mentira deslavada, na prática do “me engana, que eu gosto”.

Tem alguns “educadores” e juristas, por aí, pedindo censura à Rede Globo, por causa da personagem Rafaela, da novela das 21 horas, querendo que não se fale no assunto e que fique todo mundo, como um monte de idiotas, fingindo que o problema não acontece.

Nesta semana o “Jornal Hoje”, da Globo, mostrou uma criança, de 13 anos, que já teve 15 passagens pela polícia,... vejam bem, com apenas 13 anos... que diz não se arrepender de nada que fez, ri e debocha na cara de todo mundo, diz que vai continuar fazendo as mesmas coisas, que tem raiva e ódio de pessoas e ainda diz que um dia ainda matará uma das pessoas que ela não suporta, citando o nome dessa pessoa.

O “bullying”, que é o nome inglês que deram para a agressão nas escolas, é uma das práticas mais estúpidas que se faz nos colégios, tudo por iniciativa de crianças perversas, a imprensa já falou sobre o assunto, diversas vezes, não se vê uma providência por parte do Ministério da Educação, não se vê nada que vise coibir essa praga, tudo por conta da nojenta hipocrisia que estabeleceu que criança e adolescente podem fazer o que querem e ninguém pode fazer nada. 

Mas a ridícula legislação brasileira acha que isto não é nada, que não representa problema nenhum, que o chamado “de menor” não deve responder pelos seus atos, partindo de um princípio que todo cidadão abaixo de 18 anos é acéfalo, não raciocina, não tem discernimento, não pensa e tem o direito de fazer o que quer e bem entende.

Quando é para a sem vergonha classe política criar legislação para aumentar o número de títulos de eleitores no país, facultando à “criança” de 16 anos a votar, para escolher inclusive o presidente da república e os membros do congresso nacional, aí não tem problema nenhum, partem do princípio que eles são racionais, são responsáveis e que sabem o que estão fazendo, mas quando é para responsabilizá-los por um crime hediondo, aí não, coitadinhos, eles já não tem mais discernimento e nem racionalidade, porque são bebês, ainda tomando Nestogeno primeiro semestre.

Os Estados Unidos, neste exato momento, está tratando de levar à prisão perpétua o menino Jordan Brown (fofo ao lado direito),  de apenas 12 anos, que, covarde, fria, perversa e traiçoeiramente assassinou a nova esposa do pai, com um tiro na nuca, a queima roupa. Há quem queira, lá, a pena de morte, tamanho o nível de indignação popular.

Aqui, a “bondade” da “pacífica” e “santa” sociedade brasileira, que também quer se considerar o povo mais pacífico do mundo, chega ao outro extremo e se manifesta contrária àquilo, continuando a achar que o seu estatuto da criança é o melhor do mundo, e que o certo é o nosso país, onde criança e adolescente pode roubar e matar a vontade, traficar drogas e até andar com fuzis carregados de munição pesada nos morros, servindo a traficantes, a fim de queimar  policiais e quem se atreva a contestar o tráfico de drogas.

Aqui no Brasil uma criança pode agredir os seus professores, não apenas passando a mão na bunda da professora, mas ficando a vontade para dar-lhe bofetadas, jogá-la ao chão, chamar outros colegas para chutá-la, torturá-la, tirar sangue e até esfaqueá-la, que não tem problema nenhum. Afinal de contas, é de menor. Na foto seguinte, uma professora agredida.

Se o professor reage, mesmo que seja para se defender, aí sim, ele responderá processo, será afastado das atividades e ir para a cadeia, que não tem problema nenhum. Se a família do professor passar necessidades, não tem problema nenhum também.

A criança perversa existe e como perversa deve ser tratada, com muito rigor e que a ela deve ser imposto o mesmo tipo de dor que ela impôs aos outros. Discurso demagogo não educa ninguém; bondade religiosa, de araque, também não.

Não se pode tentar educar e domar uma criança brasileira, falando grego, árabe ou russo, porque ela não vai entender o significado das palavras. A mesma coisa acontece, quando educadores e religiosos, com suas angelicais bondades, se dirigem a ela falando palavras como fraternidade, dignidade, caráter, justiça, amor, paciência, calma, justiça, etc... porque ela não entende estas palavras, que entram num ouvido e saem no outro.

Lembro-me de um episódio ocorrido estes dias, aqui em casa, quando a nossa cachorrinha pincher, a Mini, resolveu fazer cocô nos quartos e na sala, embaixo da cortina, coisa que ela não fazia antes.

E a Tina, muito danada da vida, chama a atenção da cachorrinha:

- “Poxa Mini, não faça mais isto. Eu estou cansada e não posso ficar todo dia limpando o seu cocô...”

Aí eu pergunto a ela:

Você acha que a cachorrinha entendeu isto que você disse a ela? Ela sabe o que significa o verbo fazer e você dizer que está cansada e que não pode ficar limpando o seu cocô?

Dá-lhe umas boas chineladas e esfregue a cara dela no cocô, no lugar onde ela fez, que aí ela entende.

A criança e o adolescente de hoje, que só sabe falar “hanrã” e alguns monossílabos, não está nem aí para o que os pais dizem e que se danem eles se têm pressão alta, têm problemas ou até corram risco de infarto.    

Nós vivemos em um país onde a palavra autoridade é coisa do passado. O próprio presidente da república governa sem autoridade, porque há vagabundos da sua base governamental que fazem o que querem no Brasil e ele não pode falar nada, porque politicamente não é conveniente. Disse-me, um leitor, que é forte militante do PT, mas ao mesmo tempo diz gostar muito dos meus artigos, que existem alguns “donos” do Lula, que, quando falam com ele, parecem desconhecer que ele é o presidente da república, gritam, falam alto, exigem e já até teve gente para mandá-lo calar a boca, em pleno Palácio do Planalto, obrigando-o a fazer o que o grupo queria. Esse amigo cita, inclusive, que esse grupo que está querendo impor a censura à imprensa, é desse tipo, que se acha com mais poder no país que o próprio presidente e que até diz que a praga será implantada no Brasil, queira ou não o presidente.

Só me lembro do episódio do Castelo Branco diante do seu irmão, no episódio do presentinho recebido.

Falta autoridade, falta o respeito e falta tudo, em nosso país.

Dentro dos lares e nos colégios é a mesma coisa.

Os pais morrem de medo dos filhos, os professores e diretores morrem de medo dos alunos... e assim vai indo este país que diz querer ser chamado de primeiro mundo.

Veja o que se passa na cabeça do adolescente:

- “Ah, eu vou experimentar uma cocainazinha, o que custa? Se os meus pais falarem alguma coisa, eu grito com eles, e pronto. Se eu me viciar, posso tirar o dinheiro do meu pai quando quiser, que eles não vão tomar providência nenhuma, porque morrem de medo de mim, vou poder roubar e vender as coisas de casa. Sabe como é que é, né? Mãe é mãe e a minha não vai me desamparar nunca, ela nunca vai me dar um pé na bunda e me jogar na rua, porque morre de pena de mim. Basta eu chorar um pouco, mesmo sem lágrimas. Bater não podem, porque poderão ser presos, sou protegido pelo estatuto da criança e do adolescente. Legal, um barato, eu posso fazer o que quero, despreocupadamente”.

É isto que acontece.

Pequenos marginais protegidos pela legislação demagoga de um país que não tem vergonha na cara.

Só que, quando eu escrevo estas coisas, sempre aparece um demagogo barato para dizer:

- “Você quer, então, é voltar aos tempos da barbárie? Quer que os pais espanquem os seus filhos, tirem pedaços e torturem?”

A reação dos extremistas é sempre assim, porque as suas mentes ridículas não conseguem entender os limites das propostas.

Quando se fala que os pais devem ter mais autoridade, que devem apelar mesmo para a palmada na criança rebelde, para o chinelo, quando necessário, para a postura enérgica e até para o castigo em casa, os extremistas de mau gosto e de inteligência atrofiada sempre levam para o extremo, achando que estamos querendo que os pais mandem fazer instrumentos de tortura, para as suas casas, semelhantes àqueles usados pelo padre Torquemada, para torturar os chamados “hereges”, no tempo da inquisição.

É exatamente por causa dessas pragas que a coisa está como está em nosso país.

Há quem lute e defenda a idéia de que a assassina Suzane Von Richtofen (foto ao lado) deva sair da cadeia, porque é uma presa comportadinha, ajuda nas tarefas da penitenciária, não sabia o que estava fazendo, quando assassinou os seus próprios pais... enfim, é tanta bondade que a gente vê por aí, que não tem limites. A bandida sai da cadeia hoje, passa um tempinho, bem orientada por advogados, para não se expor muito, até que a imprensa não fale mais no assunto e a sociedade esqueça, os advogados se apoderam de boa parte do patrimônio do casal morto, que eles não são bestas, (ela tem que pagar os honorários), depois ela se envolve com novos namoradinhos, vai para as baladas, vai encher a cara e, não duvidem, poderá voltar a fazer a mesma coisa, talvez com o irmão, para ficar com toda a herança.

Fechar os olhos para a criança má, de hoje, é garantir a formação de um futuro marginal na família amanhã.

A Globo está certa, sim, em mostrar a personagem da Rafaela, magnificamente bem interpretada pela criança Clara Castanho, e vale a pena a sociedade se despir da máscara da hipocrisia, deixar de ser besta e encarar esta realidade.

Acabamos de ver mais uma tragédia, em São Paulo, quando um jovem foi morto, junto com a sua também jovem esposa, num terrível acidente de trânsito, quando o carro foi cortado ao meio, no choque com um poste. Entendemos e manifestemos a nossa solidariedade neste momento de sofrimento dos familiares e do pai do rapaz, que na televisão afirmou que era um filho maravilhoso, mas não podemos deixar de registrar que ele estava dirigindo bêbado.

Os bêbados continuam a dirigir, mas as pessoas dizem que eles só bebem socialmente.

O tabagismo continua a crescer, mas não tem problema, porque as pessoas só fumam por esporte.

É a realidade de uma sociedade mascarada que adora uma cervejinha, um wiskyzinho, uma cachacinha e uma pinguinha, acompanhada de um cigarrinho depois de um cafezinho e por aí vamos até permitir uma maconhazinha e uma cocainazinha, evitando falar em alcoolismo e até lutando para acabar com a chamada Lei Seca.

O Brasil é o país que tem todo tipo de proteção para bandidos: Se for bandido adulto, tem a Comissão dos “direitos” humanos, se for criança, tem o estatuto da criança e do adolescente.

E por aí vai, essa onda sem vergonha de hipocrisia.



Para a sua apreciação.

  



Alamar Régis Carvalho

Analista de Sistemas, Escritor, ator, profissional de televisão.

Criador da idéia do Partido Vergonha na Cara - www.partidovergonhanacara.com
alamar@redevisao.net

www.alamar.biz  -  www.redevisao.net - www.site707.com

30 maio 2010

Cobranças em eventos espíritas

Há pessoas que, provavelmente, tiveram sérios problemas morais, envolvendo dinheiro, no passado, e hoje estão reencarnadas, no movimento espírita, infernizando a vida dos outros, altamente incomodadas quando ouvem falar em dinheiro em evento espírita.

Eu já havia escrito uma matéria, tratando da questão do “Dai de graça, o que de graça recebestes”, mas chamando a atenção dos espíritas para observarem bem a sugestão de Jesus, que não nos manda dar TUDO de graça e sim o que DE GRAÇA nós recebemos.

Todavia, já que muitos confrades nossos parecem que não vêem relevância na necessidade de raciocinar, discernir e aplicar o bom senso nas coisas, terminam por pegarem a frase numa concepção superficial, sem disposição a se aprofundarem no seu contexto, e haja condenar o que a doutrina não condena. 


11 maio 2010

O eu, o nós e as muletas morais

Eu já escrevi sobre este assunto, há muito tempo, todavia acho interessante voltar a falar sobre ele, por algumas razões que acho relevantes: A primeira delas é o surgimento de um número considerável de novos leitores, no decorrer destes anos, desde quando escrevi da outra vez, a outra é porque acho que há necessidade de repensarmos alguns modelos de comportamentos que a sociedade adota, pautados na evolução de fachada, na humildade teatralizada, no sofisma e, para ser bem mais claro, na frescura mesmo. E haja hipocrisia.

Vivemos uma época de modismos descartáveis, aliás, as modas sempre são descartáveis, porque as utilizamos hoje e, de repente, deixa de ser moda e nos vemos obrigados a adotar as novas que surgem.

Eu não consigo ser eu mesmo, porque me vejo na necessidade de ser fantoche da sociedade, obrigando-me a vestir-me conforme todo mundo veste, a comportar-me conforme todo mundo quer que eu comporte e a também falar da forma como todo mundo está falando.

07 maio 2010

Não existe perseguição ao Evangelho no Brasil

E muito menos a Jesus

Conforme sabem os meus amigos, eu sou muito envolvido com televisão, desde os meus 23 anos de idade, quando saí da Aeronáutica num dia e no mesmo dia fui admitido como diretor de televisão, logo numa emissora afiliada da Rede Globo. A dona da TV era mais doida do que eu, mas aconteceu.

Paralelamente a isto, a atividade na área do ensino e no campo da informática, além do interesse pelo estudo da história das religiões, do comportamental humano, da tecnologia e essas coisas que me meto a escrever e até fazer algumas palestrinhas, em alguns lugares.

Por gostar de televisão, vivo aqui em casa com algumas antenas apontadas para satélites e alguns receptores digitais, zapeando de um lado para outro e parando para observar vários tipos de canais. Até coisas não muito agradáveis eu paro para dar uma olhada, com olhos de observação, sobretudo na minha curiosidade aguçada nessa coisa do comportamental.

Algo me tem chamado atenção, que é a quantidade de canais de televisões, e rádios também, com horários inteiros ocupados por denominações religiosas, cada uma pregando conforme os seus interesses e as suas características próprias.

Segmento espírita ortodoxo radical

“Não faltarão intrigantes, pseudo-espíritas, que queiram elevar-se, pelo orgulho, ambição ou cupidez; outros que estadeiem pretensas revelações com o auxílio das quais procurem salientar-se a fascinar as imaginações por demais crédulas. É também de se prever que, sob falsas aparências, indivíduos haja que tentem apoderar-se do leme, com idéia preconcebida de fazerem soçobrar o navio, desviando-o da sua rota. O navio não soçobrará, mas poderia sofrer prejudiciais atrasos que se devem evitar.”

“É, portanto, dever de todos os espíritas sinceros anular as manobras da intriga que se possam urdir, assim nos pequenos, como nos grandes centros. Deverão eles, em primeiro lugar, repudiar, de modo mais absoluto, todo aquele que por si mesmo se apresente qual messias, quer como chefe do Espiritismo, quer como simples apóstolos da Doutrina.”

Allan Kardec

16 fevereiro 2010

Teologia: Uma matéria conforme conveniências

É muito comum ouvirmos e lermos currículos de algumas pessoas que colocam entre os seus “qualificativos” que têm curso de Teologia, formação em Teologia e até DOUTORADO em Teologia.

Grandes coisas.

Para quem não se dispôs a analisar esta questão com mais profundidade, vem a impressão de que esse suposto “doutorado” tem o mesmo valor e peso que um doutorado em Física, Química, Medicina, Eletrônica, Astronomia e várias outras matérias que, de fato, são matérias lógicas, de conceitos admitidos e inquestionáveis no grande universo.

O pior é que no Brasil andam falando em facilidades, para que os tais formados em Teologia possam ter acesso a situações onde devem ficar aqueles que têm formação em matérias úteis.

Mas Alamar, então você quer dizer que uma matéria que se propõe ao estudo de Deus, não é uma matéria útil? Isto que você está dizendo é uma blasfêmia, um desrespeito a Deus.

É o que, talvez, possa questionar alguém de visão estreita.

Por isto, façamos uma análise sobre a questão, para o raciocínio de cada um.

O que é Deus?

Para a maioria, a pergunta não pode ser feita desta forma e sim “Quem é Deus?”

Já começa a divergência por aí. Ao nos dirigirmos a Deus, com a pergunta Quem é Deus?”, já começamos a estabelecer que ele é uma pessoa, um homem, o que estabelece, ao mesmo tempo, a sua antropomorfização. Pronto: defini então que Deus é um homem, como nós, com as nossas características, com o nosso formato e até com os nossos vícios e paixões. Os incontáveis formatos que, certamente, devem existir nos decilhões de outras estrelas e planetas, dispostos nas bilhões ou não se sabe quantos “lhões” de Galáxias não significam nada, tem que ser conforme a gente, aqui da Terra.

Conclui-se que a definição de Deus é formada conforme a visão e conveniência de cada um, principalmente das religiões, que são as congregações humanas que se acham proprietárias dele. Definir Deus é uma das formas mais claras do homem manifestar a sua presunção.

Daí conclui-se, por conseqüência, que os conceitos ensinados no curso de Teologia oferecido é estabelecido conforme a visão do segmento que o fez, conforme a cabeça das lideranças que o ministra. Portanto, não é uma matéria como a Física, por exemplo, que não tem como alguém, aqui no Brasil, fazer de uma forma e alguém, em algum país asiático, fazer de outra.

or exemplo: A terceira Lei de Isaac Newton, que eu aprendi, é exatamente a mesma que é ensinada na França, na Turquia, no Japão, na Argentina e em qualquer lugar do mundo. Os conceitos de Kepler, Lavoisier, Pascal, Boyle e Mariotte, Ohm e outros são os mesmos. Se eu for chamado a dar uma aula de Física, em Sidney, na Austrália, não terá como ninguém levantar o dedo e contestar, dizendo que lá é diferente. Espaço será igual a velocidade vezes tempo, em qualquer lugar do mundo. Eu não posso inventar uma cinemática, uma estática e uma dinâmica, por exemplo, conforme o que eu achar melhor e mais conveniente. Seria chamado de maluco.

Mas Teologia não é assim.

Vamos analisar como seria um programa de curso de Teologia, feito por faculdades mantidas sob a orientação de diversos segmentos religiosos que a gente conhece.

Se for de orientação bíblica, por exemplo, certamente conceituará que Deus criou a Terra como o centro principal do Universo, há aproximadamente 6 mil anos, e que todas as estrelas que nós conseguimos ver brilhar, nos céus, foram criadas, depois da Terra e, obviamente, com objetivos de servirem como simples luzinhas para iluminar o nosso planeta, a noite. O Sol foi criado, também depois da Terra, também com objetivo de fazer existir o dia claro, embora se afirme que a noite e o dia foram criados antes dele.

Enfim, determinar-se-á que o homem foi criado conforme o relato da estória de Adão, Eva e a Cobra e que esse negócio de homem de Australopithecus, Neanderthal, Cro-Magnon, etc. é tudo conversa fiada e nada disto existiu, apesar da Ciência ter comprovado e da evidência mostrada por inúmeros fósseis.

Dinossauros não existiram, milhões de anos na Terra nunca existiram... enfim. O Deus será conforme aquela visão e pronto, ta acabo, ninguém discute.

Ensinam, obviamente conforme a Bíblia, que ele é Deus dos exércitos, de guerras, que destrói, que tem ira, ciúme, que se arrepende e que passa pessoas ao fio da espada, caso não sejam conforme querem os que acham que têm direitos exclusivos sobre a sua imagem.

É verdade. Na Terra tem várias pessoas que se acham donas exclusivas dos nomes de Deus e de Jesus. Impressionante, mas existem.

Se o curso de teologia for de orientação católica, por exemplo, a conceituação dele será conforme o dogma católico, a Bíblia adotada pela igreja católica e o catecismo católico. Mas, mesmo assim, teria variações se fosse estabelecido conforme a visão de vários papas.

Se fosse de um papa como, por exemplo, o João XXIII... me refiro ao João XXIII recente, maravilhoso, o Cardeal Ângelo Roncalli, o que sucedeu Pio XII e não aquele outro João XXIII (1410 a 1415) safado e sem vergonha, que era um pilantra de marca maior..., com certeza seria um Deus conceituado com valores em nível de um autêntico Deus, porque ele, era um homem bom; mas se fossem outros papas do passado, como vários assassinos e monstros que comandaram a mesma igreja, no passado, com certeza teriam que defender um Deus que permitiria envenenamento de pessoas, luxúrias, enriquecimento às custas do sacrifício das pessoas, torturas, assassinatos, etc...

Imaginem, por exemplo, um Teologia escrita sob a orientação do papa Gregório IX, por criaturas como o Tomas de Torquemada e toda aquela corja que instituiu a inquisição. Como seria a conceituação desse Deus?

Aí partamos para uma outra Teologia, mas esta conforme a orientação Protestante.

Seria uma só? Haveria uma unidade de pensamento? Claro que não.

Teria que ser uma teologia conforme a visão de cada igreja. Por exemplo: A Igreja Universal do Reino de Deus, que também tem curso de teologia, estabelece um DEU$ conforme a cabeça do Edir Macedo, ou seja: o importante é o que você tem e não o que você é. Teria que ser um Deus para lhe dar bens materiais e as pessoas poderem dizer: “Ele me deu este carrão aqui, esta casa bonita, esta empresa que está faturando muito...” enfim, um Deus que quer que eu ganhe dinheiro e tenha coisas materiais, sem relevância a valores espirituais. Um Deus que, inclusive, tem conta bancária e que condiciona a ajuda a você, conforme o montante de dinheiro das suas ofertas.

A igreja da bispa Sonia, chamada Renascer, certamente faria uma teologia diferente, conforme as conveniências dela e do “apóstolo” Hernandez.

A igreja do R. R. Soares, certamente, faria um DEUS que adora um envelopezinho.

Fomos informados de que há cursos de teologia hoje, com apenas 3 meses de duração, que faculta aos seus participantes afirmarem “Sou formado em teologia”.

Por outro lado, já tem outras igrejas, embora também protestantes, as chamadas históricas, que jamais admitiriam conceituar Deus assim e não o veriam da forma como o Edir Macedo, a bispa Sônia e seus discípulos vêem. O curso de Teologia seria bem diferente, apesar de todas elas se rotularem como Evangélicas.

A “Igreja Pentecostal Deus é Tremendo”, assim como a “Igreja Pentecostal cobra de Moisés, a que engoliu as outras”, se crescessem, o quanto cresceram estas citadas, certamente fariam uma teologia com um Deus Tremendo.

Os umbandistas, também, têm o seu curso de teologia, inclusive universitário. Obviamente conceituam Deus, ou Oxalá, conforme as suas visões.

Imaginem uma teologia feita pelos espíritas. Como conceituaria Deus?

Em princípio não admitiriam a pergunta “Quem é Deus?” porque partiriam do “Que é Deus?”, por sua vez já considerariam o Deus em nível de bilhões ou não se sabe quantos “lhões” de Galáxias, cada uma com também não se sabem quantos “lhões” de estrelas e planetas dentro, vários iguais a Terras, outros inferiores e outros superiores à Terra, mas tudo criação e administração dele. Não seria um Deus que teria a Terra como centro do universo.

Mas mesmo assim não haveria unidade não, porque alguns iriam achar que Deus nos colocou na Terra para sofrer, para pagar coisas, partindo de um princípio que o sofrimento é a condição “sine qua non” para a evolução. Aí seria, também, um Deus conforme a cabeça de alguns.

Agora partamos para o outro lado da Terra.

Imaginem uma teologia feita conforme a cabeça do mundo muçulmano, que também é monoteísta, acreditando também no Deus único que criou a Terra.

O nome não é Deus, é Alá. O seu principal emissário à Terra não teria sido Jesus e sim Mohamed, ou Maomé.

Também não teria unidade nenhuma, posto que existem enormes diversidades de pensamentos, como existem no cristianismo.

Alguns o definiriam como um Deus que, certamente, tem, no “céu”, algum local onde ficam alguns “lhões” de mulheres, VIRGENS, exatamente, com virgindade, hímen e tudo, esperando a chegada de um muçulmano, homem, que acabou de morrer e que chegaria lá, com direito a consumir 70 delas, cada um. Certamente esse Deus deveria ter lá algum espírito superior, ginecologista, para conferir se as mulheres eram virgens mesmo, para esperarem pelos homens quando lá chegassem.

Mulher aqui, quando morresse, não teria direito nenhum, porque o Deus conceituado não é muito simpático a mulher, posto que ela nada mais é do que um simples objeto de uso masculino.

Imaginem uma faculdade de teologia fundada pelo Bin Laden. Como seria a conceituação desse Deus? Seria o mesmo Deus que tem uma simpatia toda especial por Israel, como é o Deus da Bíblia? Pelo contrário, seria um Deus que teria ódio mortal por Israel e pelos Estados Unidos.

Enfim, Deus é uma coisa usada pelas religiões, como um produto que pode ser embalado e vendido conforme as conveniências de cada uma.

Fala-se muito em seriedade ao se referir a ele e até em temor a ele, mas, na verdade, há mesmo é muito desrespeito a ele. Imagine se ele ficasse com raiva mesmo e castigasse de verdade as pessoas que não o consideram, como ele realmente deve ser.

Felizmente o seu nível é tão grande, tão além da capacidade de percepção humana, que ele compreende quão estreita é a visão das minúsculas criaturas que têm a pretensão de o definir. Por isto não se aborrece e muito menos castiga quem quer que seja.

Que ele proteja e dê lucidez a todos nós.

Alamar Régis Carvalho

Analista de Sistemas, Escritor, ator, profissional de televisão.

Criador da idéia do Partido Vergonha na Cara

www.partidovergonhanacara.com
alamar@redevisao.net

Êita movimentozinho acomodado

Por que os espíritas não fazem o menor esforço em divulgar a doutrina?

Será que os espíritas não sabem que uma informação espírita, dada pela televisão, pode salvar vidas?

Será que as propostas de Caridade do movimento espírita são realmente sinceras?

Quando Jesus falava tanto contra a hipocrisia, com tanta veemência, será a qual tipo de gente ele estava se referindo?

Eu gostaria de sugerir a alguns amigos, pertencentes ao movimento espírita, que antes de ficarem com raiva, antes de estabelecerem os repetitivos conceitos de que o Alamar está obsediado, está perturbado e destoante do movimento, por falar nestas coisas (é sempre assim), que analisassem com critério e racionalidade os argumentos que eu vou colocar aqui:

A caridade espírita

A doutrina nos ensina que “fora da caridade não há salvação”, não é? Ela nos ensina, também, que a Caridade a qual nos referimos, não deve ser confundida com esmola, não é verdade?

Entendido isto, chegamos à conclusão de que a autêntica Caridade não se resume a colocarmos moedas nas mãos dos meninos que nos pedem dinheiro no sinal de trânsito, a fazer sopa para pobre (espírita sempre acha que pobre adora sopa), a levarmos roupas velhas para os mais necessitados, a fazer a campanha do quilo... enfim, o entendimento abrangente do que seja Caridade é bem maior que isto, não é verdade?

Eu não vou citar Emmanuel aqui, pela milésima vez, porque já chegamos à conclusão de que isto, para espíritas, não adianta, e esse negócio de ficarmos tentando convencer as pessoas de fazerem coisas porque Fulano disse e Cicrano falou, não é bem racional e nem surte efeito nenhum. Só se for para derrubar alguém. Tenho impressão de que o mais chocante mesmo é tentar tocar na consciência, porque aí essa vai doer, vai ter gente chamando o Alamar de filho de tudo quanto é coisa, mas no fundo, no íntimo, tenho certeza de que a coisa fica matutando na cabeça, partindo do princípio que quem aprendeu a ler jamais conseguirá voltar à condição de analfabeto.

Sinta-se, você, nesses dois casos, que vou sugerir:

Se você está diante de um parente, amigo, vizinho, conhecido ou desconhecido que esteja alimentando a idéia de matar um seu cônjuge, por exemplo, (isto mesmo, fazer desencarnar, tirar a vida material), com um revólver ou qualquer arma, sob a argumentação de que esse está lhe traindo e, de repente, começa a conversar com essa pessoa, passando os seus conhecimentos espíritas, falando de coisas que você conhece, extraídas de “O Livro dos Espíritos” e do conhecimento espírita em geral, e, de repente, depois de algum tempo de conversa, essa pessoa vem a você e diz:

- “Eu mudei de idéia. Pensei muito em tudo o que você me disse e cheguei a conclusão de que não vale a pena fazer a loucura que eu iria fazer. Agradeço demais, porque você me deu uma visão que eu não tive oportunidade de ter antes”.

Se você se vê diante de uma jovem que está desesperada, por conta de uma gravidez indesejada, pensando em fazer loucuras, totalmente descontrolada porque não saberá como encarar os parentes e conhecidos, quando descobrirem que ela está grávida, já arquitetando o aborto iminente, porque na sua cabeça abortar é coisa simples que significa apenas tirar uma pelezinha besta, que lhe incomoda... De repente, você começa a lhe passar os seus ensinamentos espíritas, a mostrar a realidade do ato, as conseqüências do ato e os sofrimentos futuros que ela certamente terá por conta daquele ato e, mais que de repente, ouve ela dizer:

- “Pensei duas vezes, sei que vai ser duro, mas você me convenceu, você me deu esclarecimentos e luz e cheguei a conclusão que não devo matar o meu filho. Vou deixá-lo nascer, custe o que custar. Só tenho a lhe agradecer por você ter aparecido em minha vida neste momento”.

Sinceramente, meu amigo e minha amiga espírita, o que vale mais, a moeda de 50 centavos na mão do menino do sinal de trânsito, o prato de sopa ao pobre, que só mata a fome por algumas horas, a roupa velha dada ao mendigo ou estas atitudes que você tomou, nestes dois exemplos?

Responda-me agora, PELO AMOR DE DEUS, o que significa Caridade, na sua cabeça?

Agora, continue me acompanhando no raciocínio:

Quando você fez aquela pessoa desistir de matar o seu cônjuge e aquela jovem, também, desistir de assassinar o seu filho, aquilo lhe deu algum prazer, alguma satisfação ou alguma alegria especial em perceber que você foi útil a alguém?

Não precisa responder não, porque eu sei que não existe uma pessoa, sequer, que não fica super feliz e gozando de uma imensa Paz, em situações, como estas.

Eu, Alamar, sou riquíssimo, porque não tive apenas um caso destes, tive algumas centenas ou milhares de relatos de fatos como estes.

Pois bem.

Se em vez de você poder ser útil, desta forma, não apenas a uma ou outra pessoa do seu relacionamento, do pequeno universo com o qual convive no dia-a-dia, mas pudesse fazer a mesma coisa para dezenas, centenas ou milhares, você é capaz de dimensionar a imensa alegria que iria sentir e o tamanho do valor que iria constatar na sua pessoa?

Por que é que um país que tem mais de 20 milhões de espíritas, ainda tem índices de abortos, de suicídios e de outras práticas ruins tão elevados?

Diante de uma pergunta desta, sempre aparecem aquelas pragas daqueles espíritas acomodados e humildezinhos, com aquelas citações frias:

- “Aquiete-se Alamar, tudo tem seu tempo. As pessoas estão no nível dos seus merecimentos, Deus está no comando de tudo, os espíritos estão observando tudo isto...”

Pois é. Eu vou me ver diante de uma jovem, desesperada e desorientada, pronta para fazer o aborto, não vou conversar com ela, não vou tentar lhe convencer a não abortar, aplicando os meus conhecimentos espíritas, porque eu tenho que me aquietar, envolver-me numa calma e tranqüilidade aparentes, sob a argumentação de que os espíritos estão observando tudo e, por conta disto, eu não tenho a minha parte a fazer.

Será que é isto mesmo que a essência da Doutrina Espírita nos ensina?

Quando eu preciso carregar pesos grandes, como uma compra de supermercados, eu utilizo do instrumento carro; quando eu preciso subir vários andares de um prédio eu utilizo o instrumento elevador; quando eu preciso falar para um grande número de pessoas eu utilizo o instrumento microfone, em rádio ou televisão.

Se você participar de um programa de rádio ou televisão e, em seguida, começar a receber dezenas de e-mails de pessoas informando que “Graças àquilo que você falou, a minha vida mudou e eu estou muito feliz. Quero lhe agradecer, de todo coração”, será que isto terá algum significado especial, para você?

E se em vez de dezenas, for centenas ou milhares? Qual será a dimensão da sua felicidade?

Veja o quanto o nosso movimento é acomodado

Quem quiser continuar afirmando que o Alamar só sabe falar “mal” do movimento espírita, que continue com a sua visão estreita, capacidade racional atrofiada e costumeiro comodismo frio e egoísta, mas eu vou continuar a abrir a boca. Quem entende estes tipos de alertas como um simples “falar mal”, eu não sei como qualificar o nível de inteligência e bom senso.

Vamos observar as maravilhosas oportunidades que o Espiritismo tem tido, no Brasil, e os espíritas não sabem aproveitar, porque não estão nem aí e que, tudo indica, acham que o povo que se lixe e quem tiver problemas, que se lasque.

Relembremos estes casos:

cinema hollywoodiano apresentou ao mundo o filme “Ghost, o outro lado da Vida”, um fenômeno, no mundo inteiro, que despertou em milhões de pessoas a idéia de olhar com bons olhos a questão do espírito que sobrevive. Era o momento do espiritismo decolar, no mundo.

O que os espíritas fizeram, naquele momento?

Bolaram eventos para o público, a fim de falar do assunto, abriram espaços em congressos, pediram espaços em jornais, revistas, rádios e televisões para falarem sobre o fenômeno que encantava o mundo?

Infelizmente não. Ninguém viu movimentação espírita nenhuma, em nenhum lugar do Brasil, naquele momento. É como se não tivesse acontecido nada.

Eu, embora muitos espíritas não suportem que a gente diga o que fez, contratei espaço na TV Liberal, emissora afiliada da Globo, em Belém do Pará (eu morava lá), e no momento que a Rede Globo apresentou o filme, pela primeira vez, na TV, em horário nobre, bolei 5 comerciais diferentes, falando de coisas espíritas e dos livros das obras básicas, e botei em todos os intervalos do filme, pagando por isto, na época, o equivalente a 10 mil reais, mais ou menos, nos dias de hoje.

Teve uma repercussão impressionante, porque no dia seguinte todos os livros das obras básicas se esgotaram na cidade.

Além disto realizei eventos espíritas, FORA DA CASA ESPÍRITA, no CENTUR, que era o maior centro de convenções de Belém, na época. O objetivo era levar o Espiritismo para o público e não para as mesmas pessoas dos centros.

Depois a Globo apresentou a novela “A VIAGEM”.

Alguém viu, no movimento espírita, algum evento, promoção, congresso, seminário ou qualquer realização feita em função daquilo?

Não. Mais uma vez não. Frios e indiferentes continuaram, como sempre foram.

Em diversas outras novelas a Globo, novamente, inseriu a participação de espíritos, sugestão de leituras de livros espíritas, coisas de reencarnação... tudo isto dentro daquilo que estaria ao encontro da doutrina espírita, porque, em épocas passadas, toda vez que televisão, rádios, revistas e jornais enfocavam coisas ligadas a espíritos, sempre vinculavam com macumba e, invariavelmente, chamavam o padre Quevedo para ridicularizar mais a idéia.

Nunca mais a Globo vinculou coisas do espírito com macumba, nunca mais misturou com feitiçaria e deu um basta no velho costume de ter que chamar a praga do padre Quevedo. Muito pelo contrario: Hoje a Globo quer distância do Quevedo.

As revistas VEJA, ISTO É, Época, etc... também pararam de meter o Quevedo no meio e passaram, também, a tratar os assuntos ligados a mediunidade, reencarnação e espiritismo de um modo geral de forma mais respeitosa, sem cometer os erros danosos que cometiam no passado.

Eu, particularmente, preparei uma carta a todos os jornalistas, mostrando o que é e o que não é Espiritismo, e tive, como tenho até hoje, respostas interessantíssimas, de jornalistas de primeira linha, principalmente os jornalistas destes veículos mais importantes do País, como é o caso da VEJA, ÉPOCA, etc...

Aí veio a novela “Alma Gêmea”, que inclusive está sendo retransmitida agora, no horário da tarde, no "Vale a pena ver de novo", mais uma vez com extraordinária audiência. A novela teve como tema de fundo a reencarnação, mostrou, diversas vezes, reuniões mediúnicas, inclusive com câmeras dando close em “O Evangelho, segundo o Espiritismo”, mostrando o compromisso claro da Globo em divulgar as idéias espíritas, de forma explícita.

O que o movimento espírita fez? Algum evento e algum acompanhamento especial?

Não. Mais uma vez não fez nada.

Duas novelas depois da Alma Gêmea veio “O Profeta”. Outro fenômeno de audiência, mais uma vez mostrando reuniões mediúnicas, livros das obras básicas em close a toda hora e um sucesso absoluto.

O que os espíritas fizeram? Coisa nenhuma. Sempre fingindo que nada estava acontecendo.

Observem que eu não estou nem falando no que eu fiz, como o primeiro programa espírita em televisão via satélite no País, a primeira grande revista espírita, com grande tiragem, em todas as bancas do País, em ter colocado no ar a primeira iniciativa de televisão espírita, digital, via satélite 24 horas no ar, no mundo, porque aí já era de se esperar indiferença, frieza e até difamações mesmo. Estou me limitando a falar no que a grande imprensa vem fazendo.

No ano de 2008, surge outro fenômeno, que foi o filme “Bezerra de Menezes”, que revolucionou o cinema brasileiro, tendo levado mais de 500 mil pessoas às bilheterias do cinema, em todo o País, tendo chamado atenção de toda a imprensa, que ficou, mais uma vez, impressionada com a força das idéias espíritas.

De quem foi o esforço, para fazer o filme Bezerra de Menezes? Do movimento espírita? Do engajamento de empresários espíritas em difundir a doutrina, como pronto socorro espiritual ao país?

Não, nada disto. A iniciativa foi de um homem só, o empresário Luiz Eduardo Girão, (foto ao lado direito), lá de Fortaleza, no Ceará, que, graças a Deus, reencarnou com uma posição econômica que lhe permitisse fazer isto, independente de outros quererem ou não ajudar. Fico feliz, porque a inspiração dele em se tornar um divulgador espírita começou em mim.

O que os espíritas fizeram? Nada.

Agora, veja só o que observamos:

Enquanto o espírita não se deixa envolver por nada disto, não está nem aí, o leigo começou a se interessar pela força da idéia espírita e começou a investir nela:

Surge, em 2009, a iniciativa de um grupo, não espírita, para fazer o filme “Nosso Lar” e iniciativa de outro grupo, também não espírita, para fazer o filme “Chico Xavier”, ambos que estarão estreando agora, em 2010 e que, com certeza, serão fenômenos de bilheteria no País e talvez sucesso no mundo.

Pelo que estou informado, existem 6 outros projetos de filmes espíritas, com altos investimentos, todos tocados por não espíritas, para começarem a ser disparados agora em 2010, assim que eles verem como vão ficar os resultados do “Nosso Lar” e do “Chico Xavier”. Não tenho a menor dúvida de tudo será sucesso.

Por que o leigo consegue perceber a excelência do Espiritismo e os espíritas não conseguem?

Enquanto isto estão aí o Allan Bispo, no Rio de Janeiro, e Antonio Xavier, em São Paulo, cineastas espíritas, que não são convidados para evento espírita, nenhum, falarem a respeito do Espiritismo no cinema.

Vejam bem:

Neste ano de 2010, em abril, acontecerá as estréias das duas grandes produções cinematográficas, espíritas, que é “Nosso Lar” e “Chico Xavier”; a Globo lançará mais uma novela explicitamente espírita, claramente espírita, declaradamente espírita; as revistinhas do Maurício de Souza, fenômenos no mundo inteiro, junto às crianças, falam sobre a reencarnação e as coisas espíritas.

E os espíritas, os grandes centros espíritas, as federações espíritas, estão planejando o que?

Responda-me, com toda sinceridade, o que vou lhe perguntar agora:

No centro espírita que você freqüenta, por acaso, você está vendo alguma movimentação, alguma reunião especial para falar disto, alguma programação de evento para o grande público para falar disto ou alguém convidando grupos a se reunirem para conversar sobre isto?

Existe alguma coisa, dentro deste enfoque, na Federação Espírita do seu Estado?

Pode responder, não tem problema não. Eu sei que você vai ficar morrendo de vergonha de dizer que não tem nada, mas diga.

Afinal de contas, para o movimento espírita, que se danem as pessoas que estão na iminência de suicídio, de prática de abortos e outras violentações a elas mesmas ou ao próximo.

E haja a gente entrar nos centros espíritas e ouvirmos as mesmas coisas, ou seja, os expositores, muito bonzinhos e fraterninhos, falarem em Caridade, em Fraternidade, em ajuda ao próximo, a fazermos ao nosso próximo o que gostaríamos que fizessem conosco, a lerem a parte do Evangelho que diz que a luz é para ser colocada no velador, o “fora da Caridade não há salvação”, frase esta que geralmente é estampada, bem grande, nas paredes da maioria dos centros espíritas, quando eu pergunto: Que diabo de caridade é essa?

Para não dizerem que não querem dar resposta nenhuma, ao Alamar, vale registrar que espíritas, do mais alto nível, como um Alkíndar de Oliveira, um dos mais notáveis e sensatos espíritas deste país, tem escrito repetidamente e em nível elevado sobre o assunto e ninguém dá bola também.

O que é que explica isto?

Foi feita a campanha pedindo apoio, para colocarmos a TV CEI na SKY, de uma forma que a própria Sky está simpática à idéia, dependendo ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE da resposta dos espíritas. Precisamos apenas de 5.000 espíritas para se cadastrarem lá no site que a TV CEI criou, que é o http://www.tvcei.com/campanha. Eu tenho até vergonha de dizer quantos se cadastraram, até agora, mas ainda está muito longe disto. E olha que muita gente, mas muita gente mesmo, me retornou, por e-mail, achando a idéia maravilhosa e até parabenizando pela campanha.

Deixe eu repetir aqui: Precisamos apenas de 5.000 manifestações espíritas, e não conseguimos, ainda. Relembro que o pastor Silas Malafaia, em início de janeiro, disse em seu programa de tv que precisa de 70.000 parceiros... vejam bem, não é só cinco mil parceiros não, são SETENTA MIL... e no meio do mês ela já havia conseguido mais de 50 mil.

Será que vamos tentar, mais uma vez, justificar com as mesmas argumentações que espíritas usam: "Ah, mas eles adotam métodos, que nós não utilizamos".

Será que só isto, justifica alguma coisa?

Em abril teremos o 3º Congresso Espírita Brasileiro, em Brasília. Eu vou fazer questão de estar lá, porque só quero é ver como vai ser esse congresso, diante de tudo isto que está acontecendo. Mandei carta para lá, não recebi nenhuma resposta e nem sei se alguém deu bola. O que sei é que milhares de brasileiros sabem da minha proposta e das minhas sugestões. Falar nisto, você já fez a sua inscrição no terceiro congresso?

Quero aproveitar a oportunidade aqui, para informar a vocês, que aquela carta que escrevi para o Ministro das Comunicações e para o Presidente da ANATEL, denunciando a safadeza das operadoras de telefonia celular e do bloqueio dos IPS das pessoas, teve respostas atenciosas de ambos os órgãos, que não se limitaram a apenas me responderem por e-mail, mas telefonaram para mim, agradeceram, se interessaram em obter mais informações e prometeram tomar as providências e me retornarem, recomendando que eu acompanhasse os acontecimentos.

As autoridades respondem, mas os espíritas, como sempre, não estão nem aí.

Gente. Com que cara nós, espíritas, vamos chegar à Espiritualidade, quando chegar a nossa hora?

Lembremos da parábola dos talentos, na didática de Jesus, e observemos que ao dar a Doutrina Espírita para nós, a Espiritualidade colocou alguns talentos nas nossas mãos.

O que é que vamos dizer, na prestação de contas?

Como é que pode, o segmento de pessoas que tem a informação espírita, que é tão valiosa e pode salvar vidas, omitir essa informação para o grande público, pela indiferença e o descaso, e continuar utilizando a tribuna para falar tanto de caridade?

Será que não é hora de muita gente dar uma olhadinha, novamente, no dicionário, a fim de pesquisar qual é o significado da palavra hipocrisia?

Eu sei que muitos vão sair pela tangente, mais uma vez, dizendo, mais uma vez, simplesmente que o Alamar é polêmico e essas coisas. Mas em compensação, sei que vou deixar muita pulga atrás de orelha de muita gente, porque, é questão de consciência.

Para a reflexão de todos.

Abração.

Alamar Régis Carvalho

alamar@redevisao.net

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Desencarnações coletivas e argumentos espíritas

A tragédia do Haiti

Já que este e-mail vai para o meu segmento de amigos espíritas, tenho certeza, quase absoluta, de que a grande maioria dos leitores vai imaginar:

- “Lá vem o Alamar, como mais um, a escrever que os mortos do terremoto do Haiti, todos, eram aquelas pessoas que estavam na arena romana, promovendo a matança dos cristãos”.

E não é para menos. É o que se espera pensar mesmo, e é exatamente por isto que eu estou aqui a escrever este artigo, para a reflexão de todos.

Se acharem que eu estou exagerando, que o que estou dizendo não é bem assim ou que a minha abordagem vai de encontro à Doutrina Espírita, por favor, podem falar. Mas me venham com argumentos lógicos e sensatos, que estejam verdadeiramente ao encontro da Doutrina e não com opiniões que não estejam solidamente formadas. Discordar por discordar, para mim, não tem relevância nenhuma.

Vamos lá:

Você já percebeu que toda vez que acontece uma tragédia qualquer, quando morrem muitas pessoas, sempre aparece algum espírita para escrever ou dar declarações para algum órgão de imprensa, com aquela mesma argumentação de que os mortos foram todos carrascos dos cristãos que foram massacrados na arena romana?

Quando o Boeing da VARIG caiu no aeroporto de Orli, em Paris, em julho de 1973, matando a Leila Diniz, o cantor Agostinho dos Santos e vários brasileiros, fizeram um programa de debate na televisão, em rede nacional, para falar do assunto, e lá estava um convidado espírita, explicando, “à luz da doutrina espírita”, que, com certeza, todos os mortos eram aquelas mesmas pessoas que estavam na arena romana, queimando cristãos. Ainda dizia o tal do "COM CERTEZA".

Lembro-me quando do terremoto do México, apareceram espíritas dizendo que todos os mortos eram as mesmas pessoas que estavam na arena romana, queimando cristãos.

A mesma argumentação, exatamente a mesma, usada por espíritas, surgiu também quando caiu o boeing da Vasp, em Fortaleza, matando o amigo Edson Queiroz; também quando do desastre do Focker 100 da TAM, em 1996, em São Paulo; o Boeing da Gol, na Amazônia; novamente o outro avião da TAM que explodiu em 2007 em São Paulo... enfim, todos eram as mesmas pessoas que estavam na arena romana, queimando cristãos?

Gente! será que existe sensatez nisto?

Conforme todo mundo sabe, no início da década de sessenta, quando houve aquele pavoroso incêndio no circo de Niterói, no Rio de Janeiro, ao ser questionado sobre as razões pelas quais tanta gente havia morrido queimada, daquele jeito, inclusive crianças e pessoas “inocentes”, o Chico Xavier deu uma explicação, tendo identificado aquelas vítimas, como um grupo que, em encarnação passada, estava num circo romano, incentivando a queima de cristãos. Então, a administração espiritual resolveu reuni-las novamente e fazerem passá-las pela mesma experiência que haviam submetido os outros. Lei de Causa e Efeito.

Mas algo precisa ficar bem claro para os espíritas: O Chico se referia àquelas vítimas do incêndio do circo e não a todas as pessoas que desencarnam em todas as outras tragédias do mundo, onde morre muita gente ao mesmo tempo.

Eu recebi um e-mail, esta semana, informando que parentes de uma das vítimas do desastre do avião da TAM, de 2007, entrou com ação judicial contra um espírita que, recentemente, escreveu que todas as vítimas... todas, incluindo os seus parentes... eram carrascos, pessoas más e assassinas, que queimaram cristãos em Roma.

Não é fácil, para o cidadão comum, ainda envolvido no sofrimento pela “perda” de um ente querido, escutar alguém dizer que esse ente era bandido, carrasco, assassino ou coisa parecida, posto que, na convivência com ele, sempre o identificou como uma pessoa honesta, digna, bom pai de família ou bom filho e em conduta de vida que nada teve a ver com pessoa bandida e muito menos assassina.

Não importa, para ela, se nós, espíritas, argumentemos que ela pode ter sido uma pessoa boa na última encarnação, mas em encarnação passada ela fora bandida!

Quem é que nos dá essa certeza tão absoluta assim, a ponto da gente sair afirmando?

Embora saibamos que o processo reencarnatório é sempre evolutivo, que o espírito não regride e que, em encarnações passadas, éramos inferiores ao que somos hoje, quem de nós é possuidor de algum instrumento de medida que possa determinar em qual época e em qual encarnação fomos monstros e assassinos? Será que fomos mesmo?

Há dois mil anos, por exemplo, nem todo mundo era monstro, nem pessoa má e muito menos assassina. Teria sentido, por exemplo, uma daquelas pessoas que viveram naquele tempo e que esteja encarnada hoje, ter que dizer que fora assassina e que queimou gente, quando estava encarnada naquela época?

Há muita bobagem sendo dita por espíritas, tanto nos centros quanto nos escritos que publicam.

Você já reparou que espírita adora dizer “Eu não fui nada que presta em encarnação passada”, “Eu não fui flor que se cheire” e essas coisas?

Eu, como divulgador da doutrina, com toda a disposição que sempre tive em procurar fazer pela divulgação aquilo que, durante décadas, o movimento espírita nunca teve coragem, disposição, garra, determinação e boa vontade de fazer, sempre ouvi muitos espíritas dizerem que COM CERTEZA eu fui um inquisidor, em encarnação passada, que eu queimei muitos espíritas na fogueira e levei outros à guilhotina. O pior é que sempre colocam a praga do "com certeza".

Pelo que eu já apurei, embora não veja relevância em procurar ficar sabendo quem fui em encarnação passada, obtive a informação de que eu, de fato, fui um membro da igreja católica, padre e depois bispo, na Áustria, mas que nunca me vi envolvido com perseguição religiosa nenhuma, porque a minha paixão era pela música, apaixonado pelas músicas de Johann Strauss e as grandes valsas vienenses.

Foi uma informação que, para mim, se confirmou, porque, de fato, quando eu era criança, nesta encarnação, vivia celebrando missa o tempo todo, dentro de casa, em Vitória da Conquista, na Bahia e até roubava hóstias na sacristia da igreja matriz de Nossa Senhora das Vitórias, toda vez que o sacristão Sterlino dava moleza. Eu adorava dar comunhão para as crianças da vizinhança. Ao mesmo tempo, também desde criança, sempre me emocionei, chegando até as lágrimas, toda vez que tocava uma valsa de Strauss, sem que soubesse os motivos, escondendo a cara, para ninguém perceber. Até hoje faço um certo esforço para conter a emoção.

A médium, que me passou a informação, em Salvador, nunca soube disto e ninguém também sabia destas coisas, a não ser alguns parentes mais próximos.

Agora fica a dúvida: Por que espíritas gostam tanto de dizer que foram bandidos e que não foram nada que presta? Será que, necessariamente, todo espírita, tem que ter sido bandido? O que eu sei é que muitos são, hoje!!!

Será que no século 18, por exemplo, todas as pessoas eram bandidas e queimavam gente viva, posto que, se estão reencarnadas hoje, afirmando que na encarnação passada não era nada que presta, certamente estão querendo fazer crer isto?

É por isto que digo sempre: Há muita bobagem, no meio espírita, há muita gente abrindo a boca, achando que está falando maravilhas, como o tal “Tô melhor do que mereço”, “Eu não valho coisa nenhuma, qualquer outra pessoa aqui no centro é melhor do que eu”, “Que nada, eu não estou bonita não, são seus olhos” e toda essa palhaçada.

Você já percebeu o tal do "são seus olhos", que virou moda? hoje é a última moda, para ostentar a "tar da humirdade". Não se pode dizer que um espírita tá bonito, ou tá bonita, que já vem logo a evolução do: "Que nada, são seus olhos".

A TRAGÉDIA DO HAITI

Consta que morreram mais de 200 mil pessoas no terremoto do Haiti. Será que esta quantidade enorme de gente estava mesmo na arena romana, queimando cristãos?

Será que a Administração da Espiritualidade Superior, não pode, também, colocar algumas centenas e alguns milhares, que assaltaram e mataram pessoas na rua, outras milhares que destruíram outras pessoas pela calúnia e o mau caratismo; outras milhares que estiveram na política, roubaram o dinheiro público e, por conseqüência disto, fizeram muitos pobres morrerem; outros que já estavam com a programação de desencarnação prevista para agora, por DIVERSOS motivos... juntou tudo e fez que a desencarnação ocorresse no mesmo lugar?

Será que não vale a pena a espiritaida pensar melhor sobre certos conceitos que formaram e sai todo mundo repetindo, repetindo, repetindo... sem raciocinar?

A concepção do NOSSO LAR e do UMBRAL, para alguns

Deixe eu contar outro caso aqui, para você perceber a que ponto chega a falta de concepção do que realmente é o Espiritismo:

Há uma pessoa, que faz parte da direção de um centro espírita em Nova York, nos Estados Unidos, daquelas que sempre se apresentam como defensoras da “pureza doutrinária” e que, inclusive, se acha qualificada a vetar palestrantes para falar no “seu” centro, sob o argumento do cuidado com a doutrina. Essa pessoa, certo dia, estava fazendo uma palestra no centro, em Nova York, e em determinado momento, começou a dizer que as pessoas, quando desencarnam, devem ir para Nosso Lar, mas muitas delas, a maioria, deverá passar primeiro pelo Umbral...

Obviamente ela queria dizer que todas as pessoas que vivem lá, em Nova York, ao desencarnarem vão, em algum momento, conhecer o Laerte, Clara e Priscila, no Umbral, mais tarde o Clarêncio, o Lísias, o Ministro Célio, dona Laura e toda aquela turma, exatamente aquela turma que o André Luiz, conviveu. Na sua cabeça, deve existir um aerobus, no mesmo modelo relatado por André Luiz, há quase um século atrás.

Gente! isto é fé cega! Tão cega quanto o religioso que se encerra na Bíblia, como palavra de Deus, como infalível e verdade única e absoluta.

Muitos espíritas vêem o Umbral, relatado por André Luiz, como sendo o Inferno, para toda a humanidade e o Nosso Lar como o Céu, também para toda a humanidade, para o mundo inteiro.

Tudo indica que supõem que a tecnologia lá, nos dias de hoje, seja exatamente aquela relatada no Nosso Lar, coisa de um século atrás, esquecendo que, assim como aqui na Terra a tecnologia evoluiu, lá também, onde tudo começa antes, certamente aperfeiçoou também. Imagine se em nossas cidades, hoje, os meios de transportes fossem os mesmos do início do século passado.

Aqui entre nós, há 50 anos, nem se pensava em falar em telefone celular (desculpem, amigos de Portugal, porque aí se chama telemóvel), internet, MSN, forno micro ondas, computador em casa etc... Hoje tá tudo diferente. Imagine no mundo espiritual.

É preciso que todos os espíritas entendam que a Colônia Nosso Lar não e céu espírita nenhum e resume-se, apenas, a uma pequena região, acima do Rio de Janeiro e não pode ser vista como de âmbito universal.

Assim como “Nosso Lar”, certamente deve existir inúmeros milhares de colônias, não apenas acima do Rio, mas também acima de Fortaleza, de Manaus, de Recife, de Itapipoca no Ceará, de Paris, das cidades do interior do Irã, do Iraque, da Nigéria, da Rússia e de toda parte deste planeta.

Fazer palestra em Nova York e ficar dizendo que as pessoas, de lá, ao desencarnarem, vão encontrar dona Laura, Lísias, Célio e outros é desconhecer totalmente a essência do que André Luiz quis ensinar para nós. É visão estreita demais.

Quem morre lá, certamente, em lugar de Clarêncio, deve encontrar Mr. Smith, Mr. Stanley, Mrs. Margareth etc... tudo indica em contextos bem diferentes.

E ainda é espírita que fala em pureza doutrinária, se achando em condições de avaliar quem é e quem não é bom palestrante espírita. Deve ser, mais ou menos, com essa figuraça, de Nova Friburgo, que respondeu o email ao meu amigo.

O Futuro do Espiritismo será aquilo que os espíritas fizerem dele

Tem muito espírita maravilhoso, fazendo trabalhos belíssimos, por este mundo afora. Cada obra espírita, fantástica, que a gente tem oportunidade de ver, andando por este Brasil, gente estudando e debatendo com inteligência e bom senso, com racionalidade, com respeito a liberdade de pensamento e expressão dos outros. Tem outras pessoas desenvolvendo trabalhos magníficos, mais especificamente no lado da assistência, como é o caso das inúmeras creches, lares de idosos, lares de adolescentes, como um maravilhoso que eu tive o prazer de ver e fazer palestra, ano passado, em Colatina. Enfim, a ação de espíritas maravilhosos é algo que ninguém pode querer dizer que não existe.

Mas também, em compensação, gente, o que tem de espírita aí que, em vez de tomar água fluidificada, parece que toma limonada purgativa ou um outro laxante qualquer, pelo efeito que acontece pelo que dizem e que fazem, é algo impressionante.

Conheçamos Kardec melhor, gente, para entendermos um pouco melhor a nossa doutrina.

Abração.

Alamar Régis Carvalho

alamar@redevisao.net

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