Partindo do princípio que somos adeptos de uma doutrina que se apresenta como racional, que foi estabelecida dentro de conceitos racionais, que afirma que “fé inabalável, só é aquela que pode enfrentar a razão, face a face, em qualquer época da humanidade” e que, também, recomenda-nos que “o dia em que a Ciência comprovar que nós, espíritas, estamos errados em algum ponto, compete-nos abandonar o ponto equivocado e seguir a Ciência”, faço algumas perguntas aos meus amigos.
Veja se tem sentido alguém, do nosso movimento, colocar frases como estas:
*
- “Estes assuntos não devem ser tratados.”
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- “É preferível evitarmos falar sobre essas coisas, para evitar polêmicas.”
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- “Não devemos questionar os espíritos”.
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- “É bom evitar convidar fulano, para fazer palestras no centro, porque ele é muito polêmico”.
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- “Nós não gostamos de fulano, porque quando ele escreve expõe os problemas do nosso movimento, e precisamos ser mais dóceis e fraternos no que escrevemos e falamos”.
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- “A diretoria da casa decidiu proibir que Fulano faça palestras aqui, é decisão tomada, é assunto encerrado e não é conveniente falar sobre isto”.
Sinceramente, meu caro leitor, você consegue ver alguma sensatez e até honestidade em posicionamentos como esses?
Afinal de contas, a Doutrina é ou não é racional?
É ou não é segura, o suficiente, ao ponto de afirmar que pode enfrentar a razão, face a face, em qualquer época da humanidade?
Que solidez doutrinária pode ter um espírita, sobretudo quando em direção de um centro, que foge ao debate, foge ao questionamento e foge a explicar o porquê das suas decisões?
Quando eu digo que não quero falar sobre determinados assuntos ou determinada pessoa, para evitar polêmicas, será que o motivo é mesmo para evitar polêmicas ou é porque eu não tenho o preparo suficiente para conduzir uma discussão sobre o assunto e nem tenho bases sólidas e sensatas para sustentar as minhas teses?
É preciso que estejamos todos atentos para a sutileza de certas atitudes.
- “Olha, minha irmã, vamos evitar falar sobre o nosso irmão, preocupemo-nos com coisas elevadas, tem tanta coisa pra gente fazer aqui na casa. Recomendo apenas que oremos muito por ele, porque ele está precisando muito”.
Existe postura mais sem vergonha do que esta, que é muito comum em nosso movimento?
Você percebeu quanto veneno existe mascarado por uma suposta tranqüilidade e sugestão para falarmos sobre as tais “coisas elevadas”?
Em um Espiritismo Autêntico não pode existir nada que não possamos discutir, nada que não seja absolutamente transparente, nada que esteja envolto em máscaras e nada que possa ser enquadrado como safadeza vestida de humildade.
Cito alguns exemplos:
Vamos que alguém nos questiona sobre o porquê nós espíritas não batizamos os nossos filhos. Se limitarmos a nossa resposta apenas no “porque sim” e no “porque a doutrina não admite isto” estaremos mostrando a nossa fragilidade e o quanto somos espíritas inseguros, sem conhecimento básico da essência da nossa doutrina.
De repente o perguntador é uma pessoa praticante de uma religião tradicional, que pode nos trazer outro questionamento, em cima disto:
- “Ah, mas Jesus foi batizado, por João Batista. O batismo é bíblico. Se vocês dizem acreditar em Jesus, falam tanto no nome dele, então estão em incoerência com ele”.
É preciso que o espírita procure entender a essência da doutrina, a base lógica da doutrina, para poder argumentar, com segurança, em cima de todo e qualquer questionamento, de quem quer que seja.
- “Meu irmão. O Espiritismo não pratica o batismo, porque se tratava apenas de um ritual, da época, praticada pelo povo Judeu. Era uma prática comum, que todo aquele povo se submetia. Jesus se submeteu também, porque ele era judeu, era um costume que não fazia mal a ninguém, não ia de encontro aos seus princípios morais, havia uma certa afinidade dele e de sua família com o João Batista, portanto, ele foi lá no rio Jordão e se deixou batizar. No entanto, ele nunca batizou ninguém e nunca falou sobre isto, o que nos remete a entender que não é algo que mereça toda essa relevância”.
Pronto. Alguma explicação está dada. Não é bem mais segura do que simplesmente dizer que “porque sim” ou “porque a doutrina não permite”?
Cito outro exemplo:
Faz de conta que um determinado cidadão venha a fazer uma palestra em meu centro, e ao ser perguntado, por alguma mulher que esteja sendo vítima da lamentável cultura machista, porque muitas mulheres sofrem tanto, por esta suposta superioridade que o homem acha ter sobre ela:
- “Olhe, minha irmã. Conforme tem sido muito divulgado, inclusive já saiu este questionamento no Fantástico, há cientistas de universidades americanas que descobriram que, de fato, a mulher tem menos neurônios que o homem, e por isto existe, de fato, essa inferioridade moral.”
Ora. O cara falou besteira e fez uma afirmativa que vem de encontro a doutrina espírita.
Temos que estar preparados para chegar até ele, sem nos preocuparmos se vai gostar ou não, e afirmar que ele falou bobagem, mas temos que ter competência e coerência para enquadrá-lo no ponto doutrinário que ele errou:
- “Meu amigo. Na questão 818 de O Livro dos Espíritos, quando Kardec faz um questionamento deste aos espíritos, eles nos dizem que isto vem do domínio injusto e cruel que o homem exerceu sobre a mulher, e que é resultante das instituições sociais e do abuso da força sobre a sua fraqueza física. Não tem nada a ver com menos neurônios. Portanto, o que você falou não procede, é coisa da sua cabeça.”.
Gente, por que não agimos assim?
Fomos verdadeiros para com o nosso irmão, fomos honestos para com ele, fomos coerentes para com a doutrina, proporcionamos a ele a oportunidade de saber como a coisa realmente é, já que, no mínimo, ele vai procurar consultar a obra básica para ver se é isto mesmo.
Tem como esse irmão dizer que estamos errados? Tem como ele afirmar que é a nossa interpretação que é diferente da dele?
Não tem nem como ele querer dar um jeitinho e vir argumentar que uma determinada palavra, usada na resposta dos espíritos, significa a mesma coisa que a palavra neurônios, nos dias de hoje.
Para afirmarmos que fulano é anti-doutrinário, temos que estar preparados para matar a cobra e mostrar a cobra morta, já que mostrar o pau apenas, não é o suficiente.
Agora fica essa palhaçada de, simples e comodamente, condenar companheiros, sob a estúpida alegação de que “foi decisão da diretoria da casa”?
Não se pode sorrir num centro espírita, porque é considerado desrespeito à casa.
Chega de tanto PSIU na casa espírita!!!
Mandei fazer um quadro onde aparece Allan Kardec sorrindo e Jesus sorrindo.
Você não imagina o rebuliço que esta minha iniciativa causou, e ainda causa, na cabeça de muitos espíritas.
Uma amiga, do interior de São Paulo, achou tão bonito que resolveu mandar imprimir, em tamanho grande, mandou colocar numa moldura bonita e levou, para dar de presente ao centro espírita onde ela freqüenta, a fim de ser colocado na parede.
Foi um Deus nos acuda!!! Só faltaram mandar a moça para os quintos dos infernos, sob a alegação de que aquilo era um desrespeito a Kardec, que ela estava se deixando levar pela “insanidade” do Alamar e que jamais a direção da casa iria permitir afixar um quadro daquele nas paredes do centro. Um diretor chegou a tal nível de histerismo, que veio a quebrar o vidro do quadro, em plena livraria do centro, na frente de algumas dezenas de pessoas.
Que diabo de equilíbrio é esse?
Como pode alguém considerar que sorriso é sinal de desrespeito, se sorrir, geralmente, é manifestação de alegria e de que a pessoa está feliz?
Como é que alguém pode conceber que Allan Kardec e Jesus nunca sorriram?
- “Vamos evitar fazer perguntas fúteis aos espíritos, na mediúnica!”
Qual é o limite dessa futilidade? Quem é que determina essa limitação? O que é e o que não é considerado fútil?
Se eu encontro um amigo, encarnado, que não vejo há muito tempo, eu posso relembrar coisas passadas, posso falar de futebol, posso relembrar casos engraçados ocorridos com nós dois, posso até dar gargalhadas e falar algumas bobagens; mas se encontrar o amigo desencarnado não posso mais?
Se a doutrina diz que o desencarnado é exatamente a mesma pessoa encarnada, com os mesmos gostos, apenas sem o corpo, por que tem que ser diferente?
Será que tenho que ver os desencarnados sempre como defuntos, naquele mesmo clima de quando estava o seu corpo no caixão, no ambiente da mesma tristeza que comoveu os seus parentes e amigos?
Gente! O espírito que se comunica na mediúnica, é um defunto que já se levantou do caixão, há muito tempo.
Tenho a impressão de que muitos espíritas estão precisando estudar um pouco mais a obra básica da doutrina. Não estou falando em ler o Livro dos Espíritos, estou falando em estudar, voltar a questão, parar, pensar, refletir, questionar e raciocinar bem em cima de cada uma delas.
Não é preciso decorar números de questões e sair pronunciando, só pra dar a impressão de que entende muito de Espiritismo, relevante é entender a essência da doutrina.
Aí vem a argumentação da disciplina.
O que é disciplina?
É submisssão? É dogma? É bico calado? É aceitação sem questionamento? É acomodação? É formalidade?
Está uma chuva torrencial lá fora, eu sei que a maioria dos freqüentadores da casa está enfrentando certa dificuldade no trânsito, para chegar ao centro, e certamente chegará um pouco depois das 20 horas. Mas, em nome da disciplina, eu tenho que começar os trabalhos exatamente às 20:00:00 horas, senão os espíritos mentores da casa me castigam. Não devo ter o mínimo de tolerância, neste dia, porque me acho indisciplinado.
Será isto mesmo disciplina ou sofisma?
Tem muita gente besta por aí, aquilo que chamamos de cegos pretendendo guiar cegos, como diz o Evangelho.
Gente, o Espiritismo bem praticado é uma maravilha, é gostoso, é interessante, a gente fica no centro até esperando que as horas não passem, porque o ambiente fica “bão” demais e não há pressa nenhuma em voltar para casa. Por que tanta gente complica?
Se Jesus “baixasse” num centro espírita onde eu estivesse freqüentando, e viesse calçado com aquelas sandálias horrorosas e duras que ele costumava calçar, na Palestina, no tempo em que viveu encarnado por aqui, sinceramente, não tenham a menor dúvida de que eu, Alamar, iria brincar muito com ele e sugerir que experimentasse as legítimas Havianas, aquelas que não deformam, não tem cheiro e nem soltam as tiras.
E não pensem que eu iria comprar uma branca para dar de presente pra ele não, iria comprar uma azul, daquelas que tem a bandeirinha do Brasil na tira, igual esta da foto, sabendo que ele iria andar pelo mundo afora.
Sei que, depois do meu gesto, alguns iriam querer convencê-lo a vestir a camisa do Flamengo ou do Corinthians, já que ninguém toma iniciativa de nada, enquanto não aparecer um corajoso antes, para quebrar os padrões formais e os protocolos. .
Tem crente que odeia a Xuxa porque ela se refere a Deus como “o cara lá de cima”. Uai, qual o problema?
Será que ele, na sua incomparável superioridade, vai ficar danado, vai mandar pragas de gafanhotos e coceiras nas hemorróidas dela? (Engraçado. O Deus da Bíblia adora mandar coceira nas hemorróidas das pessoas. Não sei que diabo ele gosta tanto de hemorróida, mas, segundo o Velho Testamento, ele adora. Será que não tinha outro lugar do corpo humano para Deus descarregar as suas iras nas pessoas?).
Pratiquemos um Espiritismo com Kardec, gente! Mas com o Kardec professor e educador e não com um Kardec Padre, uma vez que este nunca existiu. Com o Kardec que era um bom pé-de-valsa, um bem humorado substituto de Pestalozzi, que encantava todo o corpo discente, quando o Mestre se ausentava da escola de Yverdun. (Eu não tô falando desse Allan Kardec do Vasco não, infiliz, é o outro!!!).
Nada de espiritismo de castração, de formalidades, de proibições e de imaginários quartéis onde criaturas disfarçadas de generais neuróticos se aproveitam para comandar o contingente de freqüentadores como se fosse uma tropa de soldados submissos a obedecer todas as ordens, sem poder falar nada, porque dizem que na vida militar o superior nunca erra.
O queijo autêntico é muito mais gostoso, o vinho autêntico também, o Espiritismo Autêntico, não poderia ser diferente e é muito melhor também.
Abração, Gente!
Alamar Régis Carvalho
alamar@redevisao.net
www.redevisao.net
29 maio 2009
25 maio 2009
E a gente continua fingindo que não sabe
Eu já escrevi várias matérias sobre o tema do “Mau caratismo”. Em uma delas argumentei que, em toda a história, o homem sempre se preocupou em buscar curas para vários males: Tuberculose, febre amarela, diarréia, paralisia infantil, tifo, câncer, aids... enfim, uma série de pragas que fazem terríveis males a ele, mas nunca, em momento algum, se viu qualquer esforço em combater ou, ao menos, se prevenir contra um dos terríveis males que tanto o prejudica: O mau caratismo.
Procuremos observar bem, para ver se conseguimos encontrar alguma iniciativa contra o mau caratismo. Não vamos encontrar. Em escolas de primeiro ou de segundo grau, bem como nas universidades, ninguém ensina as pessoas a se prevenirem contra o mau caratismo. Há campanhas contra o alcoolismo, contra o tabagismo e contra tudo. Agora mesmo o governo do Estado de São Paulo, em acertada atitude, proibiu e está fiscalizando, com rigor, o fumo em restaurantes e em vários lugares públicos.
Na televisão há campanhas contra todos os males, nas revistas também.
Mas, pelo amor de Deus, por que ninguém faz a menor referência à praga do mau caratismo?
Todos nós sabemos que ele existe, milhões e milhões de pessoas assistem televisão, todos os dias, e vêem ele ser praticado nas novelas e nos filmes, mas parece que todo mundo finge que não vê.
Casos como o da Ivone, da novela "Caminho das Índias", já aconteceram inúmeros e acontecem, na nossa cara.
Eu tenho certeza, absoluta, de que você, que está lendo este e-mail, já foi vítima do mau caratismo de alguém ou talvez esteja sendo vítima hoje mesmo. Eu não apenas acho, eu tenho certeza. Tudo indica que a sua mãe e o seu pai também foram, em alguma época. Se você tiver filhos, eles também, provavelmente.
E por que ninguém faz nada contra ele?
Não se vê a questão do mau caratismo ser debatida em congressos, em fóruns, em seminários e em evento nenhum.
Por que será?
Será que todos nós temos algum coeficiente de masoquismo para continuar a sofrer, por conta desta praga, sem esboçar qualquer reação em combatê-la?
Em quase todas as empresa existe um ou alguns funcionários que são mau caráter, invejosos, chantagistas, traiçoeiros, desonestos e que, quando podem, fazem de tudo para derrubar alguém, prejudicar alguém, difamar colegas para tomar o seu posto, fazer sabotagens, etc... e ninguém se dá conta dele.
A burrice das pessoas é tão grande, que determinados diretores e gerentes de empresas ainda demitem funcionários excelentes, com históricos de vida da mais alta dignidade, porque em algum momento foram acusados de alguma prática imoral ou desonesta, sem levarem em conta a possibilidade deles terem sido sabotados por algum mau caráter ou pelo delito ter sido mentalizado e fabricado por alguém.
Em absoluta burrice, delegados de polícia prendem e juízes de direito ainda condenam pessoas que são acusadas de tráfico de drogas, mesmo conhecendo a manjadíssima prática de policiais, ou não policiais, colocarem drogas nos bolsos dos outros ou dentro dos carros de pessoas as quais querem prejudicar. E ninguém fala nada.
Inúmeras você já viu, em novelas e em filmes, aqueles casos de um mau caráter que pega um objeto de alguma pessoa, ou da empresa, e colocam dentro da bolsa de alguém, de repente é dado o alarme, chama-se a polícia, há uma revista geral e logo levam a pessoa para a cadeia, além de ser demitida por justa causa, e todo mundo finge que não sabe que esse tipo de safadeza existe.
Por que as pessoas são tão burras, desse jeito?
E os flagrantes que são produzidos, pelas mentes doentias?
Aquele caso de contratarem alguém para dar em cima do homem ou da mulher fiel, fazendo de tudo para envolvê-lo em sedução, tentando-o de todas as formas, com todas as estratégias e toda teatralização, sempre com uma câmera à distância, com objetivo único de acabar com um relacionamento?
E o idiota e imbecil do cônjuge ainda acredita!!!!! Mesmo conhecendo a dignidade do(a) parceiro(a), muitas vezes há muitos anos de convivência, entra em profundo estado de decepção, angustia-se, envolve-se em raiva e não dá a menor chance de defesa ao acusado! Existe postura mais imbecil do que esta?
Namorados, principalmente adolescentes, terminam relacionamentos e sofrem por causa disto, mas não dão a menor chance ao outro de se defender. Muitas vezes, ingenuamente, um foi vítima de alguma safadeza de alguém, mas a burrice do outro não dá tempo para pensar nisto.
Quantas pessoas dignas foram afastadas de direções de colégios, médicos dignos afastados da direção de hospitais, homens dignos afastados de gerências ou diretorias de empresas, militares dignos presos, restaurantes dignos e higiênicos difamados... por conta do mau caratismo de alguém? O pior é que não foram não, continuam sendo!!!!!
Como é que nós humanos podemos ser tão burros desse jeito?
Há dois mil anos, interesses de políticos e de religiosos, incomodados com a superioridade do maior homem que já pisou na Terra, promoveram um processo de difamação e acusações infundadas contra ele, que foi julgado e condenado à morte, baixaram-lhe a porrada, torturaram-lhe e terminaram levando-o à cruz, e tudo ficou por isto mesmo. Depois inventaram que ele, provavelmente em instinto suicida, se deixou matar, sob a argumentação de querer salvar uma humanidade irresponsável, que hoje continua fazendo exatamente as mesmas safadezas e sem-vergonhices que fazia antes dele ser assassinado.
Como tem gente que nos faz de besta, hem? E nós continuamos indo na onda.
O mau caratismo político promove todo tipo de cachorrada, safadeza do mais elevado grau, enriquecimento ilícito comprovado e escancarado, na cara de todos os habitantes dos municípios e dos estados, e o povo continua a votar nos mesmos canalhas.
A demagogia explícita dos partidos políticos, com essa onda de “tudo pelo trabalhador”, “coitado do trabalhador”, “o trabalhador e vítima”... engana todo mundo, passando a impressão de que todo mundo é de fato trabalhador, quando na verdade o que o brasileiro que é emprego, e não trabalho. E todo mundo vai na onda.
Você já reparou, na lista dos partidos políticos brasileiros, que a maioria deles sempre tem a palavra “trabalhador”, “trabalhista”, “trabalho”, etc...?
Aproveitam-se do atrofiamento mental da maioria dos brasileiros, sobretudo das camadas menos favorecidos, para, aplicarem os seus golpes e se beneficiarem, à custa do protecionismo e do “profundo amor ao povo”. Isto não é coisa de hoje não, acontece há séculos e séculos. E todo mundo vai na onda.
Tem gente, com poder de mando e decisão, que é comprada por algum interesse qualquer, para empurrar o seu produto e dificultar a entrada de outro, e ninguém percebe ou todo mundo finge que não sabe.
Isto acontece quando você chega em algum bar, restaurante, cantina, etc... deseja tomar um determinado refrigerante, nunca tem ele, porque lá só vende os refrigerantes de uma determinada marca. O mesmo acontece, com marcas de cervejas e de outros produtos. E você ainda vai na onda, e aceita aquele mesmo.
Eu não aceito. Saio do lugar e vou para outro.
Ano passado fui a um quiosque de praia, em Santos, com a minha família, comer um prato que eles preparam muito bem e que até já saiu no Fantástico. Uma delícia. Ao pedir o refrigerante que eu queria, para acompanhar o prato, disseram que não tinha, e que só vendiam um outro, mesmo assim em latinhas. Não pensei duas vezes: Enquanto eles preparavam o prato, sai, procurei outra barraca onde vendia o que eu queria, comprei, voltei e coloquei na mesa. Ficaram com raiva e disseram que aquilo não era permitido. Só que a comida já estava pronta. Aí eu disse: Ou eu como com o refrigerante que eu quero, ou cancele o pedido.
As pessoas precisam deixar de ser bestas, diante de certos abusos.
Por que eu teria que consumir um produto que eu não quero?
Só para praticar a humildade de fachada, com aquele argumento idiota de que temos que tolerar tudo, para evitar confusões?
Há um mês, entrei só de cueca, na agência da Caixa Econômica Federal, da Rua Doutor Zuquim, em São Paulo, (eu mesmo, Alamar), depois de seis tentativas de passar naquela famigerada porta de banco e a mesma travar, naquele absurdo abuso que os bancos fazem com o cidadão comum. Engraçado que os assaltantes entram a hora que querem e não há porta nenhuma que os impeça.
O mau caratismo é algo que precisa ser combatido, sim. Sempre combatido, em todos os lugares, por todas as pessoas.
O filho, que começa a dar sinal de mau caratismo, deve ser combatido veementemente pelos pais, desde cedo, com todo rigor, para que comece logo a tomar vergonha na cara. Não tem esse negócio de ficar enganando a si mesmo com esse papo de “Ah, é a idade. Com o tempo isso passa”, porque mau caratismo não passa não, ele se agrava.
Atenção, Evangélicos: Observe, com cuidado, se a sua igreja não é conduzida por gente de mau caráter. Vou dar o exemplo: Quando um pastor exige que você freqüente somente a igreja dele e não permite que você visite outras, é sinal que a única preocupação dele é com o seu dízimo e as suas ofertas. Quando o pastor é decente, quando tem compromisso real com Jesus, (e não com JE$U$), ele não se importa que você visite outras igrejas, já que em todas elas, supõe-se, que a fonte de orientação é a mesma Bíblia e certamente o mesmo Jesus estará presente. Qual o mal teria em você visitar outras igrejas?
Atenção Estudantes: Se de repente aquela diretora maravilhosa, carinhosa e dedicada do seu colégio for afastada, criem caso, agitem e exijam explicações claras e convincentes dos motivos pelos quais ela foi afastada. Nada de intimidação.
Se um síndico de edifício começa a proibir que você coloque antena parabólica para ver canais gratuitos, sem nenhum argumento técnico ou de segurança, proibindo por proibir, procure saber se ele não foi “conversado” por empresa de tv por assinatura.
Temos que estar atentos a todos os casos.
Não podemos julgar pessoas famosas, com base no que dizem as revistas e a imprensa da fofoca. Todos temos que saber que, em todas as épocas da humanidade, todas as pessoas famosas que fizeram ou fazem sucesso de alguma forma, sempre foram difamadas por alguém, por conta da inveja.
O munícipe que deixa afastar um prefeito que sempre foi digno, que é honesto que não tem sinal nenhum de enriquecimento através de roubo do erário, é burrice. O político que é ladrão, todo mundo consegue ver, desde que tire a venda dos olhos, porque o gigantesco patrimônio acumulado por ele está na cara, à vista de todo mundo.
A Xuxa nunca fez pacto com satanás nenhum e nem vivia beliscando as crianças no seu programa. Isso é conversa fiada de gente muito perversa que gostaria de estar no lugar dela, mas nunca teve competência nem talento para produzir nada.
Quando começarem a mandar para você, imagens depreciativas à imagem do jogador Ronaldo, não dê a menor bola e jogue no lixo. É coisa de gente invejosa e incompetente que não se conforma em ver o sucesso dele que, inclusive, é idolatrado por uma nação inteira, chamada torcida corinthiana, por um Brasil todo e até no mundo inteiro. Veja na foto do lado direito, o motivo que incomoda a tanta gente.
Não dê bola para o mau caratismo, nunca.
Pelo mau caratismo, muitas coisas acontecem:
Mães fazem chantagens sentimentais com os filhos.
Pais fazem chantagem econômica com a família.
Marido faz chantagens e ameaças à esposa, toda a vizinhança e os parentes a vêem com a cara cheia da marcas de porrada, mas todo mundo finge que não vê, porque a covardia da sociedade recomenda que ninguém deve se envolver.
Filhos passam a ter raiva dos próprios pais, se pegando em um ou outro erro que porventura eles tenham cometido, fazendo de um simples erro um ato terrorista, esquecendo tudo de bom que eles fizeram durante toda a sua vida, inclusive a sua criação, muitas vezes dificultosa.
Artistas são difamados e suas carreiras interrompidas, a exemplo do que aconteceu com o Wilson Simonal. A inveja de muitos inventou que o Fank Sinatra era envolvido com a máfia e muita gente acreditou.
Pessoas são colocadas na geladeira e impedidas de desenvolverem suas atividades.
O Juiz honesto é afastado da vara onde está o processo contra um bandido rico e influente que, certamente, seria condenado.
Os juízes sem vergonha apressam o andamento dos processos de interesses dos bancos, em detrimento daqueles movidos pelo cidadão comum, que geralmente duram anos para serem julgados.
Fiscais de prefeituras, estado, previdência, ministério do trabalho, receita federal, etc... são extremamente rigorosos em relação a empresários pequenos, dignos e pacatos, porque esses, por serem dignos, não costumam ser corruptores.
Lutemos, todos, contra o mau caratismo, em toda a sua abrangência, a começar dentro da nossa própria casa e na empresa onde trabalhamos.
Aprendamos a identificar as atitudes e as pessoas de mau caráter. Toda pessoa fofoqueira é mau caráter; se fala dos outros pra gente, com certeza também fala da gente para os outros. Sejamos rigorosos em relação ao mau caratismo, em todas as suas vertentes.
Ou será que vamos continuar a fingir que ele não existe?
Abração.
Alamar Régis Carvalho
Analista de Sistemas e Escritor
Procuremos observar bem, para ver se conseguimos encontrar alguma iniciativa contra o mau caratismo. Não vamos encontrar. Em escolas de primeiro ou de segundo grau, bem como nas universidades, ninguém ensina as pessoas a se prevenirem contra o mau caratismo. Há campanhas contra o alcoolismo, contra o tabagismo e contra tudo. Agora mesmo o governo do Estado de São Paulo, em acertada atitude, proibiu e está fiscalizando, com rigor, o fumo em restaurantes e em vários lugares públicos.
Na televisão há campanhas contra todos os males, nas revistas também.
Mas, pelo amor de Deus, por que ninguém faz a menor referência à praga do mau caratismo?
Todos nós sabemos que ele existe, milhões e milhões de pessoas assistem televisão, todos os dias, e vêem ele ser praticado nas novelas e nos filmes, mas parece que todo mundo finge que não vê.
Casos como o da Ivone, da novela "Caminho das Índias", já aconteceram inúmeros e acontecem, na nossa cara.
Eu tenho certeza, absoluta, de que você, que está lendo este e-mail, já foi vítima do mau caratismo de alguém ou talvez esteja sendo vítima hoje mesmo. Eu não apenas acho, eu tenho certeza. Tudo indica que a sua mãe e o seu pai também foram, em alguma época. Se você tiver filhos, eles também, provavelmente.
E por que ninguém faz nada contra ele?
Não se vê a questão do mau caratismo ser debatida em congressos, em fóruns, em seminários e em evento nenhum.
Por que será?
Será que todos nós temos algum coeficiente de masoquismo para continuar a sofrer, por conta desta praga, sem esboçar qualquer reação em combatê-la?
Em quase todas as empresa existe um ou alguns funcionários que são mau caráter, invejosos, chantagistas, traiçoeiros, desonestos e que, quando podem, fazem de tudo para derrubar alguém, prejudicar alguém, difamar colegas para tomar o seu posto, fazer sabotagens, etc... e ninguém se dá conta dele.
A burrice das pessoas é tão grande, que determinados diretores e gerentes de empresas ainda demitem funcionários excelentes, com históricos de vida da mais alta dignidade, porque em algum momento foram acusados de alguma prática imoral ou desonesta, sem levarem em conta a possibilidade deles terem sido sabotados por algum mau caráter ou pelo delito ter sido mentalizado e fabricado por alguém.
Em absoluta burrice, delegados de polícia prendem e juízes de direito ainda condenam pessoas que são acusadas de tráfico de drogas, mesmo conhecendo a manjadíssima prática de policiais, ou não policiais, colocarem drogas nos bolsos dos outros ou dentro dos carros de pessoas as quais querem prejudicar. E ninguém fala nada.
Inúmeras você já viu, em novelas e em filmes, aqueles casos de um mau caráter que pega um objeto de alguma pessoa, ou da empresa, e colocam dentro da bolsa de alguém, de repente é dado o alarme, chama-se a polícia, há uma revista geral e logo levam a pessoa para a cadeia, além de ser demitida por justa causa, e todo mundo finge que não sabe que esse tipo de safadeza existe.
Por que as pessoas são tão burras, desse jeito?
E os flagrantes que são produzidos, pelas mentes doentias?
Aquele caso de contratarem alguém para dar em cima do homem ou da mulher fiel, fazendo de tudo para envolvê-lo em sedução, tentando-o de todas as formas, com todas as estratégias e toda teatralização, sempre com uma câmera à distância, com objetivo único de acabar com um relacionamento?
E o idiota e imbecil do cônjuge ainda acredita!!!!! Mesmo conhecendo a dignidade do(a) parceiro(a), muitas vezes há muitos anos de convivência, entra em profundo estado de decepção, angustia-se, envolve-se em raiva e não dá a menor chance de defesa ao acusado! Existe postura mais imbecil do que esta?
Namorados, principalmente adolescentes, terminam relacionamentos e sofrem por causa disto, mas não dão a menor chance ao outro de se defender. Muitas vezes, ingenuamente, um foi vítima de alguma safadeza de alguém, mas a burrice do outro não dá tempo para pensar nisto.
Quantas pessoas dignas foram afastadas de direções de colégios, médicos dignos afastados da direção de hospitais, homens dignos afastados de gerências ou diretorias de empresas, militares dignos presos, restaurantes dignos e higiênicos difamados... por conta do mau caratismo de alguém? O pior é que não foram não, continuam sendo!!!!!
Como é que nós humanos podemos ser tão burros desse jeito?
Há dois mil anos, interesses de políticos e de religiosos, incomodados com a superioridade do maior homem que já pisou na Terra, promoveram um processo de difamação e acusações infundadas contra ele, que foi julgado e condenado à morte, baixaram-lhe a porrada, torturaram-lhe e terminaram levando-o à cruz, e tudo ficou por isto mesmo. Depois inventaram que ele, provavelmente em instinto suicida, se deixou matar, sob a argumentação de querer salvar uma humanidade irresponsável, que hoje continua fazendo exatamente as mesmas safadezas e sem-vergonhices que fazia antes dele ser assassinado.
Como tem gente que nos faz de besta, hem? E nós continuamos indo na onda.
O mau caratismo político promove todo tipo de cachorrada, safadeza do mais elevado grau, enriquecimento ilícito comprovado e escancarado, na cara de todos os habitantes dos municípios e dos estados, e o povo continua a votar nos mesmos canalhas.
A demagogia explícita dos partidos políticos, com essa onda de “tudo pelo trabalhador”, “coitado do trabalhador”, “o trabalhador e vítima”... engana todo mundo, passando a impressão de que todo mundo é de fato trabalhador, quando na verdade o que o brasileiro que é emprego, e não trabalho. E todo mundo vai na onda.
Você já reparou, na lista dos partidos políticos brasileiros, que a maioria deles sempre tem a palavra “trabalhador”, “trabalhista”, “trabalho”, etc...?
Aproveitam-se do atrofiamento mental da maioria dos brasileiros, sobretudo das camadas menos favorecidos, para, aplicarem os seus golpes e se beneficiarem, à custa do protecionismo e do “profundo amor ao povo”. Isto não é coisa de hoje não, acontece há séculos e séculos. E todo mundo vai na onda.
Tem gente, com poder de mando e decisão, que é comprada por algum interesse qualquer, para empurrar o seu produto e dificultar a entrada de outro, e ninguém percebe ou todo mundo finge que não sabe.
Isto acontece quando você chega em algum bar, restaurante, cantina, etc... deseja tomar um determinado refrigerante, nunca tem ele, porque lá só vende os refrigerantes de uma determinada marca. O mesmo acontece, com marcas de cervejas e de outros produtos. E você ainda vai na onda, e aceita aquele mesmo.
Eu não aceito. Saio do lugar e vou para outro.
Ano passado fui a um quiosque de praia, em Santos, com a minha família, comer um prato que eles preparam muito bem e que até já saiu no Fantástico. Uma delícia. Ao pedir o refrigerante que eu queria, para acompanhar o prato, disseram que não tinha, e que só vendiam um outro, mesmo assim em latinhas. Não pensei duas vezes: Enquanto eles preparavam o prato, sai, procurei outra barraca onde vendia o que eu queria, comprei, voltei e coloquei na mesa. Ficaram com raiva e disseram que aquilo não era permitido. Só que a comida já estava pronta. Aí eu disse: Ou eu como com o refrigerante que eu quero, ou cancele o pedido.
As pessoas precisam deixar de ser bestas, diante de certos abusos.
Por que eu teria que consumir um produto que eu não quero?
Só para praticar a humildade de fachada, com aquele argumento idiota de que temos que tolerar tudo, para evitar confusões?
Há um mês, entrei só de cueca, na agência da Caixa Econômica Federal, da Rua Doutor Zuquim, em São Paulo, (eu mesmo, Alamar), depois de seis tentativas de passar naquela famigerada porta de banco e a mesma travar, naquele absurdo abuso que os bancos fazem com o cidadão comum. Engraçado que os assaltantes entram a hora que querem e não há porta nenhuma que os impeça.
O mau caratismo é algo que precisa ser combatido, sim. Sempre combatido, em todos os lugares, por todas as pessoas.
O filho, que começa a dar sinal de mau caratismo, deve ser combatido veementemente pelos pais, desde cedo, com todo rigor, para que comece logo a tomar vergonha na cara. Não tem esse negócio de ficar enganando a si mesmo com esse papo de “Ah, é a idade. Com o tempo isso passa”, porque mau caratismo não passa não, ele se agrava.
Atenção, Evangélicos: Observe, com cuidado, se a sua igreja não é conduzida por gente de mau caráter. Vou dar o exemplo: Quando um pastor exige que você freqüente somente a igreja dele e não permite que você visite outras, é sinal que a única preocupação dele é com o seu dízimo e as suas ofertas. Quando o pastor é decente, quando tem compromisso real com Jesus, (e não com JE$U$), ele não se importa que você visite outras igrejas, já que em todas elas, supõe-se, que a fonte de orientação é a mesma Bíblia e certamente o mesmo Jesus estará presente. Qual o mal teria em você visitar outras igrejas?
Atenção Estudantes: Se de repente aquela diretora maravilhosa, carinhosa e dedicada do seu colégio for afastada, criem caso, agitem e exijam explicações claras e convincentes dos motivos pelos quais ela foi afastada. Nada de intimidação.
Se um síndico de edifício começa a proibir que você coloque antena parabólica para ver canais gratuitos, sem nenhum argumento técnico ou de segurança, proibindo por proibir, procure saber se ele não foi “conversado” por empresa de tv por assinatura.
Temos que estar atentos a todos os casos.
Não podemos julgar pessoas famosas, com base no que dizem as revistas e a imprensa da fofoca. Todos temos que saber que, em todas as épocas da humanidade, todas as pessoas famosas que fizeram ou fazem sucesso de alguma forma, sempre foram difamadas por alguém, por conta da inveja.
O munícipe que deixa afastar um prefeito que sempre foi digno, que é honesto que não tem sinal nenhum de enriquecimento através de roubo do erário, é burrice. O político que é ladrão, todo mundo consegue ver, desde que tire a venda dos olhos, porque o gigantesco patrimônio acumulado por ele está na cara, à vista de todo mundo.
A Xuxa nunca fez pacto com satanás nenhum e nem vivia beliscando as crianças no seu programa. Isso é conversa fiada de gente muito perversa que gostaria de estar no lugar dela, mas nunca teve competência nem talento para produzir nada.
Quando começarem a mandar para você, imagens depreciativas à imagem do jogador Ronaldo, não dê a menor bola e jogue no lixo. É coisa de gente invejosa e incompetente que não se conforma em ver o sucesso dele que, inclusive, é idolatrado por uma nação inteira, chamada torcida corinthiana, por um Brasil todo e até no mundo inteiro. Veja na foto do lado direito, o motivo que incomoda a tanta gente.
Não dê bola para o mau caratismo, nunca.
Pelo mau caratismo, muitas coisas acontecem:
Mães fazem chantagens sentimentais com os filhos.
Pais fazem chantagem econômica com a família.
Marido faz chantagens e ameaças à esposa, toda a vizinhança e os parentes a vêem com a cara cheia da marcas de porrada, mas todo mundo finge que não vê, porque a covardia da sociedade recomenda que ninguém deve se envolver.
Filhos passam a ter raiva dos próprios pais, se pegando em um ou outro erro que porventura eles tenham cometido, fazendo de um simples erro um ato terrorista, esquecendo tudo de bom que eles fizeram durante toda a sua vida, inclusive a sua criação, muitas vezes dificultosa.
Artistas são difamados e suas carreiras interrompidas, a exemplo do que aconteceu com o Wilson Simonal. A inveja de muitos inventou que o Fank Sinatra era envolvido com a máfia e muita gente acreditou.
Pessoas são colocadas na geladeira e impedidas de desenvolverem suas atividades.
O Juiz honesto é afastado da vara onde está o processo contra um bandido rico e influente que, certamente, seria condenado.
Os juízes sem vergonha apressam o andamento dos processos de interesses dos bancos, em detrimento daqueles movidos pelo cidadão comum, que geralmente duram anos para serem julgados.
Fiscais de prefeituras, estado, previdência, ministério do trabalho, receita federal, etc... são extremamente rigorosos em relação a empresários pequenos, dignos e pacatos, porque esses, por serem dignos, não costumam ser corruptores.
Lutemos, todos, contra o mau caratismo, em toda a sua abrangência, a começar dentro da nossa própria casa e na empresa onde trabalhamos.
Aprendamos a identificar as atitudes e as pessoas de mau caráter. Toda pessoa fofoqueira é mau caráter; se fala dos outros pra gente, com certeza também fala da gente para os outros. Sejamos rigorosos em relação ao mau caratismo, em todas as suas vertentes.
Ou será que vamos continuar a fingir que ele não existe?
Abração.
Alamar Régis Carvalho
Analista de Sistemas e Escritor
24 maio 2009
As dosagens e as coerências no movimento espírita
Há um velho ditado que diz: “Nem Jesus agradou a todos”.
Ele teria errado, de alguma forma? Ele teria feito coisas boas, para algumas pessoas, mas, também, coisas ruins para outras, a ponto de não agradá-las?
Sabemos que não.
Ora, quais seriam, então, os motivos porque todos não se agradassem de Jesus?
Ele, o supra-sumo do Amor Incondicional, possuidor de valores como a Caridade, a Tolerância, a Humildade, a Indulgência e a Fraternidade; mas todos autênticos, reais, sinceros e praticados integralmente.
Honestidade a toda prova, sem vícios, sem paixões, sem rancor, sem ódio, sem egoísmo, sem inveja, sem orgulho, sem partidarismo... enfim, sem qualquer característica que pudesse igualá-lo ao homem comum.
Por que, então, não agradou a todos?
Tem uma explicação:
Por causa da diversidade de óticas, de cada um. A criatura humana é mais ou menos cega, mais ou menos irracional, mais ou menos insensata, mais ou menos indigna e mais ou menos desonesta.
Ela não consegue enxergar as coisas como elas são e muito menos as pessoas, como elas realmente são.
Entre a vista de uma criatura humana, comum, e o objeto a ser visto, normalmente existe um vidro sujo, ou embaçado, como ficam os vidros de um banheiro quando estamos tomando banho com água bem quente.
Este vidro existe de forma permanente, conforme o nível de inteligência e competência de algumas pessoas; mas também ele é colocado, com mais ou menos sujeira, conforme as conveniências e os interesses de quem está olhando.
Jesus não agradou a todos porque a ignorância e a estupidez humana não souberam ou não quiseram enxergá-lo, como ele realmente é.
Muitos o conceberam como sendo o próprio Deus, num equivocado exagero, forma de conceito esta que existe até hoje, na religião tradicional.
Outros já o conceberam como um fazedor de milagres, e o procuravam apenas para curar as suas enfermidades, sem o menor interesse nos seus ensinamentos, inclusive desaparecendo, sem dar a menor bola para ele, depois de curados.
Outros só o viam como o filho de José, o carpinteiro, sem nada de especial.
Já os seus irmãos o viam com deboches e quiseram sempre estar distante dele, porque o consideravam como um parente desequilibrado, um maluco.
Os religiosos o consideravam como um blasfemo e presunçoso. Sentiam-se incomodados com a sua presença, sobretudo quando ele insistia tanto em ser duro contra a hipocrisia.
Outros o consideravam como perigoso, agitador, inimigo de Roma e mobilizador do povo para acabar com os interesses do império.
Enfim, os interesses políticos, aliados aos dos religiosos e mais a burrice do povo, culminaram com o seu assassinato, daquela forma tão cruel e covarde.
Só que ele não foi a única vítima da diversidade de visões do mundo. Gandhi também foi assassinado, por causa dessa mesma diversidade, assim como Martin Luther King e inúmeros outros nomes notáveis da história humana.
As pessoas vêem as coisas, como elas querem ver.
Nós, espíritas, somos vistos pela maioria dos protestantes como servos do tal satanás, inimigos de Jesus e de Deus, adoradores de espíritos de mortos, que vivemos a consultar mortos, praticando de feitiçaria, necromancia e até matanças de animais e crianças para oferecer o seu sangue em sacrifício.
Você que, como eu, é espírita, vê alguma coerência nesse tipo de visão? Não acha um verdadeiro absurdo alguém conceber o espírita desta maneira?
Você que convive em centros espíritas há anos e até há décadas, consciente de que em centro nenhum existe prática de feitiçarias, adoração de espíritos mortos, consulta a mortos, bruxarias, necromancia, despachos e matanças de animais, não sente indignação diante desse tipo de conceituação, movida por uma tremenda ignorância?
É claro que sim, por mais que queira exercer a “humildade” de forçação de barra, em afirmar que “temos que ser tolerantes com eles, porque eles estão no nível evolutivo que estão”.
Pois bem. O Espiritismo é o que é e não aquilo que os seus detratores querem que seja.
Mas, também, temos que afirmar, com toda segurança e destemor, que o Espiritismo é o que é, e não o que alguns dos seus próprios adeptos, também espíritas, querem que ele seja.
Do mesmo jeito que muitos segmentos da humanidade viram Jesus com várias óticas, as pessoas que não são espíritas também vêem o Espiritismo com diversas óticas.
Também, os que estão no movimento, o vêem com diversos tipos de olhos.
Falemos, então, sobre os diversos tipos de visões que existem dentro do nosso movimento.
Há criaturas que conceberam o Espiritismo como uma Doutrina, mas há outras que o conceberam apenas como uma Religião. Outros já se esforçam em diversificar, ao afirmarem que é uma doutrina que, ao mesmo tempo, é Religião, Ciência e Filosofia. Mais ou menos como se fosse Pai, Filho e Espírito Santo.
Até aí, tudo bem. Só que as diversificações de entendimentos do que é e do que não é Espiritismo, é algo que gera uma confusão enorme em nosso movimento, e até inimizades e ódios terríveis entre os próprios espíritas.
O pior de tudo é que quem é defensor de um determinando entendimento do que seja o Espiritismo, acha que todo mundo tem que entender a doutrina exatamente como ele entende.
É como se o Thomás de Torquemada, por exemplo, exigisse que católicos como Dom Hélder Câmara, Madre Tereza de Calcutá, Irmã Dulce e todos os outros exemplares de amor da igreja entendessem o catolicismo como ele entendia, sem necessidade de amor, humildade e tolerância nenhuma, achando lícito torturar e assassinar pessoas, com métodos cruéis e terroristas, como ele adotava.
Tanto é que ele e outros membros da igreja católica chegaram a queimar até outros colegas, também padres e bispos, que não pensavam daquela forma. Mas queimar mesmo, colocando-os em fogueiras, em praça pública, na frente de multidões para assistirem os seus corpos se transformarem em churrasco.
Em nosso movimento espírita há pessoas que vêem uma importância enorme nos trabalhadores espíritas se vestirem de branco, principalmente nas mediúnicas, e as toalhas das mesas serem forradas, necessariamente, com toalhas brancas. A coisa é levada a tanto rigor, que chegam a mandar que voltem para casa os trabalhadores que, por alguma razão, chegam ao centro vestidos com roupas que não seja brancas.
Outros chegam a exigir que as pessoas fechem os olhos, nos momentos da prece, como se isto fosse uma exigência da doutrina.
Por incrível que pareça, há outras exigências, em determinadas casas espíritas, que chegam a impressionar:
Homens devem se sentar nos bancos ou cadeiras do lado direito e mulheres do lado esquerdo.
É proibida a entrada de mulheres, se vestindo com calças compridas. Tem que ser de vestido, com comprimento abaixo do joelho. Maquiagem também é proibida.
Somente a dona Fulana pode receber o espírito mentor da casa.
Em nosso centro é proibida a manifestação de qualquer espírito que se apresente como índio, caboclo ou preto velho.
Tem que apagar a luz, para fazer a prece. Tem que botar uma música, para fazer a prece.
Tem que virar as palmas das mãos para cima, na hora de receber o passe. Uai, e a energia do passe entra pela palma da mão?
Aí vem as diversas características de centros espíritas:
“Em nosso centro, estudamos Ramatis”. “Em nosso centro, não admitimos Ramatis”. “O centro que freqüento é adeso à FEB”, “O centro tal não é adeso à FEB”. “Em nosso centro, tem várias reuniões mediúnicas”, “no centro tal, só tem mediúnica uma vez por semana, mas para apenas 8 pessoas que podem participar”. “No nosso centro, distribuímos farnéis para os pobres do bairro”. “No nosso centro todo mundo tem que fazer curso”. “No centro tal, a pessoa só pode trabalhar na mediúnica, depois de pelo menos dois anos de curso de médium”...
E por aí vai.
Nessa onda toda, formam-se diretorias e conselhos deliberativos, para determinarem as normas, estatutos e metas do centro, porém dentro do que pensa um tal “Seu Fulano”, ou “Dona Fulana”, constituído como liderança maior da casa, considerada como altamente experiente em espiritismo, a quem todo mundo deve reverência.
E ai daquele que se atrever a questionar os métodos e princípios adotados.
Quando a cabeça do centro acha que não é conveniente adotar as obras do Chico Xavier, sob a argumentação de que ele faz um espiritismo brasileiro à sua moda, orientado pelo padre Emmanuel, aí não tem cristão que dê jeito. Outros proíbem os livros de Divaldo, sob a mesma argumentação, de que ele é conduzido pela Joanna de Ângelis, que é freira. Gente, Joanna nunca obrigou Divaldo a coisa alguma, nem mesmo a pensar exatamente como ela.
O pior de tudo é que a diversificação de interpretações da doutrina não se limita apenas a admitir um ponto de vista, a adotá-lo e a respeitar os que não pensam e não praticam daquela forma, convivendo fraternal e harmoniosamente com outros confrades. Muito pelo contrário, passam a ver os outros como se fossem seus adversários e assim os tratam, da mesma forma como os protestantes nos vêem como se fôssemos servos do tal Satanás.
Um centro espírita dirigido por uma determinada criatura que odeia as obras de Roustaing, por exemplo, se sente profundamente incomodado quando alguém que gosta da obra começa a freqüentar aquela casa. Ele chega a recomendar aos demais diretores e trabalhadores da casa, para que fiquem de “olho no cara”, e não deixem nem ele abrir a boca para comentar nada, para dar opinião nenhuma no centro, em situação nenhuma. Passa a ser visto como se fosse um bandido, uma criatura da pior espécie.
As determinações para que determinados palestrantes não sejam convidados a fazer palestras na casa, são as mais absurdas possíveis e nunca têm um embasamento real em cima das obras básicas, onde se pode demonstrar, com clareza o porquê ele não é convidado. A fragilidade dessas proibições é tão grande que, por falta de argumento convincente, geralmente saem com justificativas do tipo: “foi determinação da diretoria”, e pronto, não se pode mais falar no assunto.
As afirmações de que “fulano é anti doutrinário” acontecem deliberadamente, sem qualquer fundamentação, sem qualquer enquadramento da acusação e, o que é mais lamentável, os freqüentadores e demais trabalhadores da casa ficam todos quietinhos, amedrontados e ninguém se atreve a pedir explicações, principalmente diante de toda a platéia, para que o proibidor explique as REAIS razões da afirmação.
É preciso que tenhamos um melhor discernimento e um entendimento mais profundo do que seja realmente o Espiritismo. Esse negócio de começar a estudar “O Livro dos Espíritos” a partir do “Que é Deus”, por mera formalidade de uma didática criada por determinada instituição, é algo que precisa ser repensado, porque nenhum espírita deve prescindir de conhecer, profundamente, o que Kardec coloca, magistralmente, na introdução da referida obra.
É preciso que os espíritas, brasileiros ou não, que estão no exterior, passem a entender que a FEB, Federação Espírita Brasileira, por mais respeitável que seja, não é um Vaticano do Espiritismo. Este aviso vai, principalmente, com muito carinho, para alguns amigos, muito queridos, que militam no movimento espírita dos Estados Unidos e em Portugal também.
Que todos saibam, ao mesmo tempo, que a FEB não costuma dar ordens às Federações Espíritas Estaduais, muito menos aos centros, nem impor coisa alguma, ao contrário do que determinados confrades escrevem em alguns jornais dirigidos por pessoas que não gostam dela.
Existe uma mania de condenação, terrível, em toda a humanidade, que foi herdada por muitas pessoas que estão em nosso movimento.
Os exemplos são inúmeros:
Quando uma obra tem um, dois ou três pontos que geram alguma dúvida ou controvérsia, as pessoas condenam TODA a obra.
Quando um determinado cidadão pensa, sobre algum ponto, diferente, as pessoas o condenam TOTALMENTE e já o enquadra em nível de marginalidade.
Eu já vi um amigo, espírita atuante e médico, ser banido dos trabalhos de um centro espírita, afastado das palestras e dos mais importantes trabalhos, só porque desfez o seu casamento, numa situação em que a esposa fora a culpada pelo rompimento dos laços, de uma forma tão evidente, que os dois filhos adolescentes do casal preferiram ficar com ele e não com ela, de tão indignados que ficaram diante das cenas que via no lar.
Mas o radicalismo da visão estreita, que determina como regra geral que “a família é instituição sagrada”, não abre qualquer espaço para analisar com mais profundidade e menos sofisma a questão da relação a dois.
É importante que nós espíritas passemos a estudar as questões das DOSAGENS, em todas as atividades da vida.
Eu já exemplifiquei, em artigo anterior, que café com açúcar demais fica ruim, mas com açúcar de menos fica ruim também. Tem dosagem.
Quando a gente questiona o aspecto do espiritismo ser ou não ser religião, a estupidez de alguns confrades já estabelece logo uma análise extremista, afirmando que estamos querendo retirar Jesus do Espiritismo, que somos contra a Caridade, a Humildade e que somos contra os aspectos morais da doutrina.
Na realidade, não é nada disto. O que se questiona é apenas que o movimento espírita afaste-se dos maus costumes praticados pela religião, como as proibições, as obrigações, as censuras, os patrulhamentos à vida alheia, as posturas clericais de determinadas lideranças, as hipocrisias e os moralismos de fachada, as difamações sutis, as manias de julgamentos e condenações sem dar direito de defesa aos acusados, as deliberações por ânimos pessoais, etc...
Mas tudo dentro de uma dosagem indispensável:
Respeito à Liberdade não significa necessariamente que devamos, por exemplo, permitir que casais venham a manter relações sexuais nos bancos dos centros espíritas, enquanto se faz uma palestra. Só mesmo uma mente estúpida, movida pelo extremismo, para ler a proposta com uma situação dessa.
É lícito, sim, que uma instituição espírita não permita a utilização da sua tribuna para pregação de idéias que vão de encontro à Doutrina Espírita. Não apenas é lícito, como é fundamental e é dever do espírita responsável cuidar disto.
Todavia há uma diferença enorme entre uma citação feita por alguém ser enquadrada como de encontro à Doutrina Espírita ou de encontro apenas à maneira como eu acho que a Doutrina é.
Por exemplo: Muitas pessoas acham que o simples ato de alguém sorrir no ambiente de um centro espírita é postura desrespeitosa, quando na realidade não é. O sorriso jamais pode ser considerado postura desrespeitosa, a não ser em caso de deboche a alguém. Um casal de namorados não pode estar abraçado num centro espírita, porque é considerado desrespeitoso, quando na realidade não é. Considerar o estar abraçados como se estivessem mantendo relações sexuais nos bancos do auditório, é de uma estupidez sem tamanho. E esses tipos de extremismos existem aos montes, por aí.
Disciplina é uma coisa, palhaçada é outra.
Ordem é uma coisa, ostentação de autoridade, enquanto diretor de uma instituição é outra.
Sejamos espíritas conscientes, corajosos, criteriosos e destemidos, sem abrir mão, jamais, pelo zelo aos postulados doutrinários como eles realmente são.
Se um palestrante vem dizer, em meu centro, que 2 + 3 são 7, eu tenho o direito de discordar, sim, e de contestá-lo, pegando a "obra básica da matemática", provar que ele está errado e que eu estou correto, em afirmar o 2 + 3 são 5 e não 7, porque é um cálculo fácil. Mas se um palestrante diz que 17,35623658 + 26,04653445 é igual a 43,40277103 e eu, por não ter tempo ou por ter preguiça de fazer os cálculos, de checar a informação e de verificar se está certo ou não, precipitadamente venho a condená-lo e dizer que ele está errado, constitui-se num ato de estupidez. É o que acontece, demais, em muitas instituições espíritas.
E se ele disser que 38, mais o seno de 47, mais o coseno de 39, mais a raiz quadrada de 144 é 56,8903, como é que eu vou querer julgar e contestar se eu nem sei que diabo é seno e coseno, apesar de já ter ouvido falar, no tempo em que estudei?
Façamos, portanto, um Espiritismo com dosagens, com coerência e com bom senso.
Abração, Gente!
Alamar Régis Carvalho
alamar@redevisao.net
www.redevisao.net
Ele teria errado, de alguma forma? Ele teria feito coisas boas, para algumas pessoas, mas, também, coisas ruins para outras, a ponto de não agradá-las?
Sabemos que não.
Ora, quais seriam, então, os motivos porque todos não se agradassem de Jesus?
Ele, o supra-sumo do Amor Incondicional, possuidor de valores como a Caridade, a Tolerância, a Humildade, a Indulgência e a Fraternidade; mas todos autênticos, reais, sinceros e praticados integralmente.
Honestidade a toda prova, sem vícios, sem paixões, sem rancor, sem ódio, sem egoísmo, sem inveja, sem orgulho, sem partidarismo... enfim, sem qualquer característica que pudesse igualá-lo ao homem comum.
Por que, então, não agradou a todos?
Tem uma explicação:
Por causa da diversidade de óticas, de cada um. A criatura humana é mais ou menos cega, mais ou menos irracional, mais ou menos insensata, mais ou menos indigna e mais ou menos desonesta.
Ela não consegue enxergar as coisas como elas são e muito menos as pessoas, como elas realmente são.
Entre a vista de uma criatura humana, comum, e o objeto a ser visto, normalmente existe um vidro sujo, ou embaçado, como ficam os vidros de um banheiro quando estamos tomando banho com água bem quente.
Este vidro existe de forma permanente, conforme o nível de inteligência e competência de algumas pessoas; mas também ele é colocado, com mais ou menos sujeira, conforme as conveniências e os interesses de quem está olhando.
Jesus não agradou a todos porque a ignorância e a estupidez humana não souberam ou não quiseram enxergá-lo, como ele realmente é.
Muitos o conceberam como sendo o próprio Deus, num equivocado exagero, forma de conceito esta que existe até hoje, na religião tradicional.
Outros já o conceberam como um fazedor de milagres, e o procuravam apenas para curar as suas enfermidades, sem o menor interesse nos seus ensinamentos, inclusive desaparecendo, sem dar a menor bola para ele, depois de curados.
Outros só o viam como o filho de José, o carpinteiro, sem nada de especial.
Já os seus irmãos o viam com deboches e quiseram sempre estar distante dele, porque o consideravam como um parente desequilibrado, um maluco.
Os religiosos o consideravam como um blasfemo e presunçoso. Sentiam-se incomodados com a sua presença, sobretudo quando ele insistia tanto em ser duro contra a hipocrisia.
Outros o consideravam como perigoso, agitador, inimigo de Roma e mobilizador do povo para acabar com os interesses do império.
Enfim, os interesses políticos, aliados aos dos religiosos e mais a burrice do povo, culminaram com o seu assassinato, daquela forma tão cruel e covarde.
Só que ele não foi a única vítima da diversidade de visões do mundo. Gandhi também foi assassinado, por causa dessa mesma diversidade, assim como Martin Luther King e inúmeros outros nomes notáveis da história humana.
As pessoas vêem as coisas, como elas querem ver.
Nós, espíritas, somos vistos pela maioria dos protestantes como servos do tal satanás, inimigos de Jesus e de Deus, adoradores de espíritos de mortos, que vivemos a consultar mortos, praticando de feitiçaria, necromancia e até matanças de animais e crianças para oferecer o seu sangue em sacrifício.
Você que, como eu, é espírita, vê alguma coerência nesse tipo de visão? Não acha um verdadeiro absurdo alguém conceber o espírita desta maneira?
Você que convive em centros espíritas há anos e até há décadas, consciente de que em centro nenhum existe prática de feitiçarias, adoração de espíritos mortos, consulta a mortos, bruxarias, necromancia, despachos e matanças de animais, não sente indignação diante desse tipo de conceituação, movida por uma tremenda ignorância?
É claro que sim, por mais que queira exercer a “humildade” de forçação de barra, em afirmar que “temos que ser tolerantes com eles, porque eles estão no nível evolutivo que estão”.
Pois bem. O Espiritismo é o que é e não aquilo que os seus detratores querem que seja.
Mas, também, temos que afirmar, com toda segurança e destemor, que o Espiritismo é o que é, e não o que alguns dos seus próprios adeptos, também espíritas, querem que ele seja.
Do mesmo jeito que muitos segmentos da humanidade viram Jesus com várias óticas, as pessoas que não são espíritas também vêem o Espiritismo com diversas óticas.
Também, os que estão no movimento, o vêem com diversos tipos de olhos.
Falemos, então, sobre os diversos tipos de visões que existem dentro do nosso movimento.
Há criaturas que conceberam o Espiritismo como uma Doutrina, mas há outras que o conceberam apenas como uma Religião. Outros já se esforçam em diversificar, ao afirmarem que é uma doutrina que, ao mesmo tempo, é Religião, Ciência e Filosofia. Mais ou menos como se fosse Pai, Filho e Espírito Santo.
Até aí, tudo bem. Só que as diversificações de entendimentos do que é e do que não é Espiritismo, é algo que gera uma confusão enorme em nosso movimento, e até inimizades e ódios terríveis entre os próprios espíritas.
O pior de tudo é que quem é defensor de um determinando entendimento do que seja o Espiritismo, acha que todo mundo tem que entender a doutrina exatamente como ele entende.
É como se o Thomás de Torquemada, por exemplo, exigisse que católicos como Dom Hélder Câmara, Madre Tereza de Calcutá, Irmã Dulce e todos os outros exemplares de amor da igreja entendessem o catolicismo como ele entendia, sem necessidade de amor, humildade e tolerância nenhuma, achando lícito torturar e assassinar pessoas, com métodos cruéis e terroristas, como ele adotava.
Tanto é que ele e outros membros da igreja católica chegaram a queimar até outros colegas, também padres e bispos, que não pensavam daquela forma. Mas queimar mesmo, colocando-os em fogueiras, em praça pública, na frente de multidões para assistirem os seus corpos se transformarem em churrasco.
Em nosso movimento espírita há pessoas que vêem uma importância enorme nos trabalhadores espíritas se vestirem de branco, principalmente nas mediúnicas, e as toalhas das mesas serem forradas, necessariamente, com toalhas brancas. A coisa é levada a tanto rigor, que chegam a mandar que voltem para casa os trabalhadores que, por alguma razão, chegam ao centro vestidos com roupas que não seja brancas.
Outros chegam a exigir que as pessoas fechem os olhos, nos momentos da prece, como se isto fosse uma exigência da doutrina.
Por incrível que pareça, há outras exigências, em determinadas casas espíritas, que chegam a impressionar:
Homens devem se sentar nos bancos ou cadeiras do lado direito e mulheres do lado esquerdo.
É proibida a entrada de mulheres, se vestindo com calças compridas. Tem que ser de vestido, com comprimento abaixo do joelho. Maquiagem também é proibida.
Somente a dona Fulana pode receber o espírito mentor da casa.
Em nosso centro é proibida a manifestação de qualquer espírito que se apresente como índio, caboclo ou preto velho.
Tem que apagar a luz, para fazer a prece. Tem que botar uma música, para fazer a prece.
Tem que virar as palmas das mãos para cima, na hora de receber o passe. Uai, e a energia do passe entra pela palma da mão?
Aí vem as diversas características de centros espíritas:
“Em nosso centro, estudamos Ramatis”. “Em nosso centro, não admitimos Ramatis”. “O centro que freqüento é adeso à FEB”, “O centro tal não é adeso à FEB”. “Em nosso centro, tem várias reuniões mediúnicas”, “no centro tal, só tem mediúnica uma vez por semana, mas para apenas 8 pessoas que podem participar”. “No nosso centro, distribuímos farnéis para os pobres do bairro”. “No nosso centro todo mundo tem que fazer curso”. “No centro tal, a pessoa só pode trabalhar na mediúnica, depois de pelo menos dois anos de curso de médium”...
E por aí vai.
Nessa onda toda, formam-se diretorias e conselhos deliberativos, para determinarem as normas, estatutos e metas do centro, porém dentro do que pensa um tal “Seu Fulano”, ou “Dona Fulana”, constituído como liderança maior da casa, considerada como altamente experiente em espiritismo, a quem todo mundo deve reverência.
E ai daquele que se atrever a questionar os métodos e princípios adotados.
Quando a cabeça do centro acha que não é conveniente adotar as obras do Chico Xavier, sob a argumentação de que ele faz um espiritismo brasileiro à sua moda, orientado pelo padre Emmanuel, aí não tem cristão que dê jeito. Outros proíbem os livros de Divaldo, sob a mesma argumentação, de que ele é conduzido pela Joanna de Ângelis, que é freira. Gente, Joanna nunca obrigou Divaldo a coisa alguma, nem mesmo a pensar exatamente como ela.
O pior de tudo é que a diversificação de interpretações da doutrina não se limita apenas a admitir um ponto de vista, a adotá-lo e a respeitar os que não pensam e não praticam daquela forma, convivendo fraternal e harmoniosamente com outros confrades. Muito pelo contrário, passam a ver os outros como se fossem seus adversários e assim os tratam, da mesma forma como os protestantes nos vêem como se fôssemos servos do tal Satanás.
Um centro espírita dirigido por uma determinada criatura que odeia as obras de Roustaing, por exemplo, se sente profundamente incomodado quando alguém que gosta da obra começa a freqüentar aquela casa. Ele chega a recomendar aos demais diretores e trabalhadores da casa, para que fiquem de “olho no cara”, e não deixem nem ele abrir a boca para comentar nada, para dar opinião nenhuma no centro, em situação nenhuma. Passa a ser visto como se fosse um bandido, uma criatura da pior espécie.
As determinações para que determinados palestrantes não sejam convidados a fazer palestras na casa, são as mais absurdas possíveis e nunca têm um embasamento real em cima das obras básicas, onde se pode demonstrar, com clareza o porquê ele não é convidado. A fragilidade dessas proibições é tão grande que, por falta de argumento convincente, geralmente saem com justificativas do tipo: “foi determinação da diretoria”, e pronto, não se pode mais falar no assunto.
As afirmações de que “fulano é anti doutrinário” acontecem deliberadamente, sem qualquer fundamentação, sem qualquer enquadramento da acusação e, o que é mais lamentável, os freqüentadores e demais trabalhadores da casa ficam todos quietinhos, amedrontados e ninguém se atreve a pedir explicações, principalmente diante de toda a platéia, para que o proibidor explique as REAIS razões da afirmação.
É preciso que tenhamos um melhor discernimento e um entendimento mais profundo do que seja realmente o Espiritismo. Esse negócio de começar a estudar “O Livro dos Espíritos” a partir do “Que é Deus”, por mera formalidade de uma didática criada por determinada instituição, é algo que precisa ser repensado, porque nenhum espírita deve prescindir de conhecer, profundamente, o que Kardec coloca, magistralmente, na introdução da referida obra.
É preciso que os espíritas, brasileiros ou não, que estão no exterior, passem a entender que a FEB, Federação Espírita Brasileira, por mais respeitável que seja, não é um Vaticano do Espiritismo. Este aviso vai, principalmente, com muito carinho, para alguns amigos, muito queridos, que militam no movimento espírita dos Estados Unidos e em Portugal também.
Que todos saibam, ao mesmo tempo, que a FEB não costuma dar ordens às Federações Espíritas Estaduais, muito menos aos centros, nem impor coisa alguma, ao contrário do que determinados confrades escrevem em alguns jornais dirigidos por pessoas que não gostam dela.
Existe uma mania de condenação, terrível, em toda a humanidade, que foi herdada por muitas pessoas que estão em nosso movimento.
Os exemplos são inúmeros:
Quando uma obra tem um, dois ou três pontos que geram alguma dúvida ou controvérsia, as pessoas condenam TODA a obra.
Quando um determinado cidadão pensa, sobre algum ponto, diferente, as pessoas o condenam TOTALMENTE e já o enquadra em nível de marginalidade.
Eu já vi um amigo, espírita atuante e médico, ser banido dos trabalhos de um centro espírita, afastado das palestras e dos mais importantes trabalhos, só porque desfez o seu casamento, numa situação em que a esposa fora a culpada pelo rompimento dos laços, de uma forma tão evidente, que os dois filhos adolescentes do casal preferiram ficar com ele e não com ela, de tão indignados que ficaram diante das cenas que via no lar.
Mas o radicalismo da visão estreita, que determina como regra geral que “a família é instituição sagrada”, não abre qualquer espaço para analisar com mais profundidade e menos sofisma a questão da relação a dois.
É importante que nós espíritas passemos a estudar as questões das DOSAGENS, em todas as atividades da vida.
Eu já exemplifiquei, em artigo anterior, que café com açúcar demais fica ruim, mas com açúcar de menos fica ruim também. Tem dosagem.
Quando a gente questiona o aspecto do espiritismo ser ou não ser religião, a estupidez de alguns confrades já estabelece logo uma análise extremista, afirmando que estamos querendo retirar Jesus do Espiritismo, que somos contra a Caridade, a Humildade e que somos contra os aspectos morais da doutrina.
Na realidade, não é nada disto. O que se questiona é apenas que o movimento espírita afaste-se dos maus costumes praticados pela religião, como as proibições, as obrigações, as censuras, os patrulhamentos à vida alheia, as posturas clericais de determinadas lideranças, as hipocrisias e os moralismos de fachada, as difamações sutis, as manias de julgamentos e condenações sem dar direito de defesa aos acusados, as deliberações por ânimos pessoais, etc...
Mas tudo dentro de uma dosagem indispensável:
Respeito à Liberdade não significa necessariamente que devamos, por exemplo, permitir que casais venham a manter relações sexuais nos bancos dos centros espíritas, enquanto se faz uma palestra. Só mesmo uma mente estúpida, movida pelo extremismo, para ler a proposta com uma situação dessa.
É lícito, sim, que uma instituição espírita não permita a utilização da sua tribuna para pregação de idéias que vão de encontro à Doutrina Espírita. Não apenas é lícito, como é fundamental e é dever do espírita responsável cuidar disto.
Todavia há uma diferença enorme entre uma citação feita por alguém ser enquadrada como de encontro à Doutrina Espírita ou de encontro apenas à maneira como eu acho que a Doutrina é.
Por exemplo: Muitas pessoas acham que o simples ato de alguém sorrir no ambiente de um centro espírita é postura desrespeitosa, quando na realidade não é. O sorriso jamais pode ser considerado postura desrespeitosa, a não ser em caso de deboche a alguém. Um casal de namorados não pode estar abraçado num centro espírita, porque é considerado desrespeitoso, quando na realidade não é. Considerar o estar abraçados como se estivessem mantendo relações sexuais nos bancos do auditório, é de uma estupidez sem tamanho. E esses tipos de extremismos existem aos montes, por aí.
Disciplina é uma coisa, palhaçada é outra.
Ordem é uma coisa, ostentação de autoridade, enquanto diretor de uma instituição é outra.
Sejamos espíritas conscientes, corajosos, criteriosos e destemidos, sem abrir mão, jamais, pelo zelo aos postulados doutrinários como eles realmente são.
Se um palestrante vem dizer, em meu centro, que 2 + 3 são 7, eu tenho o direito de discordar, sim, e de contestá-lo, pegando a "obra básica da matemática", provar que ele está errado e que eu estou correto, em afirmar o 2 + 3 são 5 e não 7, porque é um cálculo fácil. Mas se um palestrante diz que 17,35623658 + 26,04653445 é igual a 43,40277103 e eu, por não ter tempo ou por ter preguiça de fazer os cálculos, de checar a informação e de verificar se está certo ou não, precipitadamente venho a condená-lo e dizer que ele está errado, constitui-se num ato de estupidez. É o que acontece, demais, em muitas instituições espíritas.
E se ele disser que 38, mais o seno de 47, mais o coseno de 39, mais a raiz quadrada de 144 é 56,8903, como é que eu vou querer julgar e contestar se eu nem sei que diabo é seno e coseno, apesar de já ter ouvido falar, no tempo em que estudei?
Façamos, portanto, um Espiritismo com dosagens, com coerência e com bom senso.
Abração, Gente!
Alamar Régis Carvalho
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