12 novembro 2009

Acordo do governo com o Vaticano

Fala-se muito acerca de um suposto acordo que o governo brasileiro teria feito com o Vaticano, comprometendo-se a impor, novamente, o ensino da “religião” no currículo escolar, em nosso País.

Afinal de contas, o Vaticano está querendo o quê, mesmo? Ensino religioso?

Não, o que ele está querendo é o ensino do Catolicismo, que muitos ainda insistem em querer fazer voltar, sob aquela argumentação insensata de que o Catolicismo é a religião “oficial” do País.

Religião oficial? Quem é que vai aceitar, nos dias atuais, uma coisa desta?

Eu, por exemplo, por não abrir mão da minha independência e exigindo respeito para com a minha inteligência, jamais vou admitir essa conversa fiada de religião “oficial”, nem se fosse o Espiritismo, que professo, declarado com tal qualificação.

Ensino religioso nas escolas, naquele velho modelo que a igreja católica impunha aos governos mais antigos, representa um retrocesso sem tamanho, haja vista o nível de ridículo que certos conceitos se expõem.

Imaginem eu ser obrigado a ver o meu filho, num colégio, tendo que estudar, como matéria, bobagens tipo a estória de Adão, Eva e a cobra; Caim matou Abel e se mudou para a terra de Node, onde constituiu família e tanta idiotice desse nível.

Nós, espíritas, temos que nos manifestar contra isto, como os protestantes estão se manifestando, embora as manifestações deles tenham também interesses políticos partidários, posto que estão a cada dia se organizando em partidos, com muito sucesso, conforme as suas pretensões, já que as suas bancadas, chamadas evangélicas, nas câmaras municipais, nas assembléias legislativas e no congresso, em todo o Brasil, tem aumentado cada vez mais.

Quando o papa Bento 16 esteve no Brasil, o assunto mais importante da sua agenda foi aquele momento em que ele, juntamente com vários cardeais, teve uma reunião com o Presidente Lula, reivindicando poderes para a Igreja Católica. Já colocaram vários cardeais, naquele momento, estrategicamente, para exercerem uma certa influência psicológica em cima do presidente, sabendo da fragilidade que ele certamente tem, dentro daquela conceituação de que o “politicamente correto” sempre é certo, em todas as situações, e não teriam dúvidas de que, diante daquela pressão, a resposta seria sim. Acreditavam que o presidente responderia para agradar, politicamente, a maioria, como sempre acontece.

Felizmente o Lula foi lúcido e nem pediu tempo para pensar, respondendo logo que não, que os dias atuais não admitem mais vinculação de governo com religião e foi muito feliz na sua decisão, o que não agradou ao clero. Naquele momento eu vi um bispo, entrevistado num dos jornalísticos da Globo, muito contrariado, afirmando que com aquela negativa o Lula estaria iniciando o processo de decadência do governo brasileiro.

A decadência do governo e de toda política no Brasil já existe, creio eu, mas não por causa desta recusa e sim pela pouca vergonha mostrada diariamente pela imprensa, com essa corrupção desenfreada, essa impunidade dos políticos ladrões, esses escândalos no senado, esses mensalões e toda essa cachorrada que a gente vê, a todo momento.

Que o Brasil precisa de uma matéria sobre MORALIDADE nas escolas, isto sim, não restam dúvidas; mas que seja um currículo pautado numa moralidade autêntica e não nessa moralidade formal e de conveniência, que chega a ser ridícula, imposta pela religião, inclusive por vários segmentos espíritas e não somente pela igreja católica.

Ensinar a proposta Jesus, sim, mas a essência do seu ensinamento moral, conforme souberam dividir, muito bem, Allan Kardec e os Espíritos da codificação, quando elaboraram o Evangelho, segundo o Espiritismo. Mas não adotando, obviamente, a nossa obra como o modelo, exatamente para não haver protesto religioso por parte dos contrários à nossa doutrina.

Jesus é, sim, o Maior modelo e guia que o homem tem para seguir, mas não poderíamos deixar de citar, também, os ensinamentos que estão no Alcorão, no Bahgavad Gita e em outros livros considerados sagrados, por algumas culturas, obviamente em concordância com isto que chamo de moralidade autêntica, que se resume em “Faça aos outros o que quer que façam contigo”, “Não faça a ninguém o que não quer que ninguém faça contigo”, “não julgueis”, “amem uns aos outros, como a si mesmo”... e por aí vai.

Que essa nova matéria fosse, mais ou menos, como a antiga “Educação Moral e Cívica”, porém aperfeiçoada e modernizada, obviamente sem qualquer tópico de interesse político partidário.

Inserir no currículo assuntos como prevenção contra os vícios, não somente das drogas chamadas pesadas, como cocaína, maconha e crack, mas também contra a praga do cigarro e da bebida alcoólica, com mapas mostrados em sala de aula (como nas aulas de Ciência) que mostram os pulmões dos fumantes, os efeitos na respiração e até no desempenho sexual de quem é viciado no tabagismo e no alcoolismo; ensinar sobre o problema do machismo, que ainda faz muito homem agredir a esposa, sobre a hipocrisia, o falso moralismo, desvinculando virgindade de moralidade, desvinculando sexo de moralidade, EDUCAÇÃO FINANCEIRA, informações sobre o egoísmo, a ambição, o orgulho, etc... Deveria ter, também, orientações contra os exageros das religiões, a exploração pela religião, etc... Aí sim, seria um autêntico ensino moral que religião sensata nenhuma poderia ser contra.

E o papa ainda vem querer mais “poderes” para a igreja católica, em nosso País?

Pra que a igreja quer ter poderes aqui? Para permitir que o segmento violento, presunçoso e desequilibrado do clero faça o que fizeram nos tempos da inquisição?

Você já imaginou se padres tivessem, hoje, poder de, por exemplo, mandar alguém para a cadeia? Não tenham dúvidas de que existiriam muitos espíritas e praticantes de outras religiões presos, sem direito a defesa.

Religião não tem que ter poder nenhum, porque em todas elas, com certeza absoluta, esses poderes não seriam exercidos pelos mais sensatos e sim pelos mais arrogantes, perturbados, desequilibrados, frustrados e recalcados, para violentar os outros, para punir, boicotar, sabotar e prejudicar os seus desafetos, não tenhamos dúvida.

Mesmo no meio espírita!!! Não fiquem aí pensando que essa violência aconteceria apenas por iniciativa católica não. Todos esses elementos, que estão à frente de instituições espíritas, impondo as suas maneiras de pensar, impondo que todos se conduzam conforme as suas cabeças, já teriam feito de tudo para calar todos os que pensam em contrário.

Em São Paulo, por exemplo, elementos das Casas André Luiz, com todo o poder econômico que tem, já teriam recorrido ao governo para determinar que os provedores de internet cortassem a conta do Alamar, para calá-lo, sem qualquer direito a recurso. Não somente eu, mas vários outros companheiros estariam proibidos de usar a internet e enviar e-mails.

Sabe aqueles dirigentes que determinam que um ou outro expositor está PROIBIDO de fazer palestra no seu centro? Não explicam os porquês, não escrevem, não assinam e nem documentam os porquês; quando você pergunta, eles apenas saem com aquela de “é determinação da diretoria”, e pronto, você tem que aceitar isto. É o espírito inquisitorial que está enraizado em muitas pessoas, embora ninguém queira admitir. Racione e questione: Será que esses não fariam muito pior, se tivessem algum poder nas mãos?

Só que teria um detalhe: Tudo seria feito muito fraternalmente.

Gente, religião com poder é uma desgraça. Quem tiver curiosidade em saber o que o poder das religiões já fez no mundo, e continua fazendo, que leia os diversos livros que falam sobre a história das religiões. Não vamos muito longe, a televisão mostra, a todo momento, o que o governo do Irã faz com o povo daquele país, manipulado que é pelo poder da religião dos Aiatolás.

Circula, pela internet, fotos de casamentos coletivos de homens adultos com meninas crianças, de até menos de 10 anos de idade, como esta aí ao lado, uma verdadeira pedofilia oficializada, porque a religião deles determina assim. Mandaram-me uma indicação de um filme, no Youtube, com a noite de lua de mel de um casal deste (alguém filmou) e é impressionante o quanto a garotinha grita e sofre, indefesa, com o estupro do "marido", um verdadeiro animal irracional em cima dela. Uma coisa horrorosa.

É a religião quem dá respaldo a isto, sim. Segundo eles, Alá quer isto. Agora imagine o número de problemas ginecológicos que essas menininhas devem ter, numa cultura daquela. São coisas que não divulgam para o mundo mas a gente pode dimensionar as conseqüências de uma cultura tão estúpida.

Não há história de mulheres adultas se casando com meninos pequenos, por lá.

Imaginem o Edir Macedo com poder, no Brasil. Queiram ou não, ele é um líder religioso, uma espécie de papa para alguns milhões de brasileiros.

Temos que protestar, temos que enviar e-mails para a imprensa e para os políticos repudiando essas idéias, senão ela termina sendo aprovada, partindo do princípio que se não houve protesto por parte da população é sinal que ela aceita “numa boa”.

Precisamos parar com essa mania de que “a espiritualidade está vendo tudo isto e saberá o momento de agir”, porque as coisas não são bem assim. Temos que fazer a nossa parte, não podemos ser omissos e não podemos fingir que não estamos neste mundo e que já fazemos parte do elevado mundo espiritual.

É preciso que o Brasil todo saiba que nem todo mundo é besta.

Abração.

Alamar Régis Carvalho

alamar@redevisao.net

www.redevisao.net

Espiritismo com coerência é bonito

Você conhece aquela história do: “Eu acredito no Deus que criou os homens e não no deus que os homens criaram”?

Há diferenças, sim, e diferenças gritantes: O Deus que criou os homens é o Deus que criou e adiministra bilhões de galáxias, cada uma com bilhões de estrelas dentro, em dimensões tão gigantescas cuja visualização nem cabe em nossas microscópicas cabeças. Falar em bilhões de anos luz é algo que não pode ser entendido por bilhões de homens viventes na face da Terra, porque a Grandeza do Deus que criou os homens é algo que não pode ser compreendida pelo homem comum.

Já o deus que os homens criaram, é um deuzinho limitado apenas ao planeta Terra, que concebe a Terra como centro do Universo, cheio de paixões, vaidades excessivas, raivinhas, disposição para guerras e destruições e com todas as imperfeições humanas, conforme relata a Bíblia.

Infelizmente a maioria dos humanos, que se diz deísta, crê e admite apenas esse segundo deus, já que poucos, muito poucos mesmo, conseguem assimilar o primeiro que é o Verdadeiro Deus.

No meio espírita, ainda bem, não aceitam o deus bíblico, mas limitam-se em apenas falar que crêem em um Deus Soberanamente Bom e Justo, Inteligência Primeira e Criador de todas as coisas.

Há coerência na doutrina espírita? Há, sim; e muita.

Que bom! Então a prática do Espiritismo é coerente e é bonita, como está colocado no título da matéria.

Pois é, só que existe o Espiritismo que os Espíritos criaram, muito bem assimilado por Allan Kardec e muito bem disposto em suas obras básicas e o espiritismo inventado pelos homens que se auto-denominam lideranças espíritas.

Misericórdia, Alamar! No Espiritismo tem isso também? Essas distorções não são coisas de crentes apenas?

Infelizmente quando o homem mete a mão nas coisas ele tem a tendência de moldá-la conforme as suas conveniências.

Vamos chamar de Espiritismo coerente, o Espiritismo com “E” maiúsculo e espiritismo de conveniência, o espiritismo com “e” minúsculo.

O Espiritismo se conduz rigorosamente conforme o pensamento dos Espíritos Superiores que é o pensamento de Allan Kardec.

O espiritismo se conduz conforme as conveniências dos centros, conforme a cabeça dos seus dirigentes, pessoas humanas comuns que nem sempre tiveram o cuidado de estudar TODA a obra básica e desenvolver uma concepção absolutamente fiel da doutrina.

O Espiritismo demonstra que a condição de encarnados na Terra, possibilita aos homens a possibilidade de aprendizado, condição educativa e, também, a oportunidade de resgatar algum débito que possa ter de vidas pretéritas.

O espiritismo conduz as pessoas dentro de um entendimento que elas estão aqui somente para pagar e para sofrer, sofrer e sofrer, numa concepção de que a Terra é uma penitenciária, e não uma escola. E vamos sofrer, gente, para evoluir!!!!

O Espiritismo, no entendimento da perfeição absoluta de Deus, demonstra que tudo o que acontece conosco ocorre exatamente dentro do nosso merecimento.

O espiritismo faz as pessoas entenderem que espíritas estão aqui melhores do que merecem.

O Espiritismo sugere ao homem a prática da Humildade autêntica, Humildade de vivência, Humildade praticada em todos os momentos, nas 24 horas de todos os dias.

No espiritismo basta a pessoa dar impressão, aos outros, de que ela é humilde, fingir que é humilde, com falas mansas, chamando atenção dos outros por supostas faltas de caridade, e pronto, ta resolvido. O espírita que diz "eu não mereço isto", "eu sou uma mera insignificância", é muito bem aceito pelo movimento.

O Espiritismo recomenda que devemos ler de tudo e retermos o que é bom em cada obra.

No espiritismo é o contrário: Se em uma determinada obra contiver um, dois ou três itens que possam parecer contraditórios, é motivo para espíritas odiarem aquela obra, desenvolverem campanhas, durante décadas, contra ela e até conceberem todos os que a admiram como verdadeiros bandidos e demônios. Evitam até de cumprimentarem uns aos outros. Mas tudo isto, muito fraternalmente.

No Espiritismo, quando surge na Terra um espírito encarnado, como o Chico Xavier, é motivo de alegria. Quando surge um outro, como Divaldo Franco, é motivo de mais alegria ainda, porque surgiu mais um para difundir as idéias da doutrina.

No espiritismo, o surgimento de um Divaldo é visto como concorrência ao Chico, a ponto de fazer com que determinadas lideranças o odeiem, por décadas e décadas, como se fossem fanáticos flamenguistas odiando vascaínos e vice-versa, ou corinthianos odiando palmeirenses.

No Espiritismo é recomendado que a Doutrina seja divulgada e que até invistam em profissionais da área de comunicação, inclusive remunerando-o, como se remunera a qualquer profissional. A luz tem que ser colocada no velador.

No espiritismo não existe a menor relevância para a divulgação da doutrina e todos os confrades que se atrevem a divulgá-lo, invariavelmente são chamados de vaidosos, de quererem aparecer às custas da doutrina. Ai do diretor de uma instituição espírita que propor remuneração a um jornalista. A luz tem que ser deixada sob o alqueire.

No Espiritismo a auto-flagelação é sinônimo de suicídio, a privação de prazeres, forçada, é masoquismo.

No espiritismo o sofrimento e a privação de prazeres e alegrias são vistos como postura moral e sinônimo de resignação. Um "bom" espírita não deve ir a festas, carnaval, danças e nada.

No Espiritismo a Lei de Causa e Efeitos é coisa natural e infalível da natureza, a concepção de que o homem quando sai à chuva tem que se molhar é lógica. Hipócrita deve ser tratado como hipócrita, como Jesus tratou.

No espiritismo não. Em nome da “caridade” e da “compreensão”, temos que nos calar em relação aos fofoqueiros, aos caluniadores, sabotadores, falsos moralistas, hipócritas e enganadores, principalmente se estes tiverem dentro do movimento. Se alguém se atrever a denunciar as safadezas explícitas, deve ser banido do movimento e todas as ações são feitas para tentar calar-lhe. Se você usa o termo "hipócrita", acham que você é agressivo.

No Espiritismo ensina-se que “Se algum dia a Ciência comprovar que estamos equivocados em algum ponto, devemos abandonar o ponto equivocado e seguir a Ciência, e inclusive fala na possibilidade de novas revelações.

No espiritismo tudo está pronto, a verdade absoluta já é conhecida, não existe possibilidade nenhuma da Ciência comprovar nada contra o que sabemos, não existe possibilidade nenhuma de novas revelações, haja disposição em baixar o cacete no Bacelli e em todos os outros que tragam informações novas, sem qualquer disposição ao diálogo, a troca de idéias e iniciativas para ouvi-lo explicar as bases das suas afirmativas.

No Espiritismo o homem que exige diálogo e que questiona é considerado homem inteligente e sensato, que quer ter as suas convicções solidificadas e todas as coisas muito bem esclarecidas.

No espiritismo as pessoas que questionam são consideradas transgressoras da disciplina. Devem ser caladas, sempre de forma sutil, para que os outros não percebam o ato de violência.

No Espiritismo a maldade das pessoas está nas suas intenções, no seu íntimo, no nível do seu espírito, nas más ações que são praticadas às escondidas e no veneno expelido pela sua alma.

No espiritismo a maldade existe é na grafia das palavras que a pessoa escreve ou pronuncia, na clara demonstração de que o importante é a forma e não o conteúdo. Se o conteúdo for maldoso e venenoso, mas a forma for bonita, tudo bem, sem problemas.

Qual o Espiritismo, ou o espiritismo, que você se propõe a praticar?

Praticar o Espiritismo com coerência, é muito bonito.

Trabalhemos, com coerência, sinceridade e destemidamente para que o Espiritismo seja praticado, por todas as instituições espíritas, com a maior fidelidade possível às suas obras básicas, sem qualquer distorção em relação aos ensinamentos dos Espíritos.

Para a sua apreciação.

Alamar Régis Carvalho

alamar@redevisao.net

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