17 outubro 2008

A reencarnação do Emmanuel

Tenho lido, em alguns fóruns de discussão da Internet, abordagens acerca de uma possível reencarnação do Emmanuel, aquele espírito que foi o principal orientador do nosso Chico Xavier. Afinal de contas, o Emmanuel está reencarnado? Está reencarnando? Qual a relevância para o movimento espírita saber se está ou não e onde ele estaria?
Eu acho muito saudável quando os espíritas se reúnem para discutir os diversos assuntos que fazem parte do nosso dia-a-dia, as coisas consideradas transcendentais, as do espírito e até aquelas que estão além da nossa capacidade de entendimento total e absoluto. Não consigo ver motivos para alguém ser contra isto, já que somos doutrina de questionamentos e questionar é requisito da criatura inteligente. Felizmente o Espiritismo não é doutrina do “porque sim” e nem do “porque não”.
Quando Kardec levava aos Espíritos as questões que foram dispostas em “O Livro dos Espíritos”, nós observamos que muitas delas não têm apenas uma pergunta e uma resposta, já que quando ele percebia que as respostas deles não estavam completas, ou não o satisfaziam, ele fazia outras, na mesma questão. Daí a importância de sabermos separar o que são Questões de “O Livro dos Espíritos”, (1018) e Perguntas do mesmo livro, que são bem mais.
O detalhe a observar aqui, que também caracteriza a excelência da nossa doutrina, é que em momento algum os Espíritos responderam a Kardec qualquer coisa do tipo “porque sim”, “porque tem que ser assim”, “isto não é pergunta que se faça” etc... Muito pelo contrário, eles sempre ficaram a vontade e deixaram o codificador, também, à vontade.
Na questão, por exemplo, quando foi perguntado qual o maior Modelo e Guia que nós teríamos para seguir, eles responderam “Vide Jesus”. Só isto e mais nada. Mas não quer dizer que o Kardec não pudesse fazer outras perguntas, do tipo: “Mas, o que vocês acham de Buda? E outros Avatares? Além de Jesus, vocês recomendariam outros modelos?”.
Kardec poderia, sim, ter perguntado algo mais ou menos assim e os Espíritos, com certeza, responderiam e não se aborreceriam por causa disto.
Isto nos remete a entender que o Espiritismo, de fato, não nos limita a coisa nenhuma, não nos restringe a questionar nada, deixa-nos a vontade para perguntar, duvidar e até não aceitar. É uma doutrina que não admite qualquer espécie de censura.
Se as limitações e restrições existem, são de responsabilidade de pessoas e não da doutrina.
Ta bom. E a tal reencarnação do Emmanuel, o que tem a ver com isto? É aceitável discutir esta questão?
A doutrina nos responde que sim. É mais ou menos como a questão da identificação de espíritos, que se comunicam conosco: Perguntar o nome de um espírito que está se comunicando e procurar saber quem ele foi, quando encarnado, não é relevante, porque o importante é o conteúdo da mensagem que ele nos apresenta; mas isto não quer dizer que seja proibido e que não devamos perguntar nunca.
Vejo como absolutamente natural a curiosidade de muitos espíritas em procurarem saber se o Emmanuel já está encarnado e onde ele está, posto que foi anunciado que ele reencarnaria.
Não é uma curiosidade minha que, sinceramente, não vejo lá essas importâncias, mas não é por causa disto que devo eu jogar duro com quem queira saber e até tratar as pessoas da forma como alguns companheiros tratam na troca de escritos dos fóruns, no orkut e em outros meios de trocas de idéias. As pessoas têm direito, sim, a essa curiosidade.
Só que eu não acredito que a Espiritualidade vá revelar, assim, com toda essa facilidade, o nome do “menino” que hoje estaria animado pelo admirável espírito, quem são os seus pais, se são espíritas ou não, se ele está no Brasil ou em outro país, se está no interior do Ceará ou numa cidadezinha próxima à Uberaba, enfim, não creio, por razões óbvias.
Não é que a Espiritualidade quisesse simplesmente negar por negar às pessoas esse direito de saber; é que ela, com toda a sabedoria, entende muito bem das conseqüências disto.
Você já imaginou o que fariam muitas pessoas, se tivessem certeza de quem seria esse menino e onde estaria ele, um espírito que conviveu na época de Jesus e que foi quem foi?
Imaginem o impacto de sabermos estar encarnado um espírito do nível de Emmanuel.
Eu não quero nem fazer referências à peregrinação sacrificante que muitos faziam para se deslocarem de cidades distantes até Uberaba para verem de perto o Chico Xavier, o que em muitos casos se registraram exageros, excessos e fanatismos, quero fazer referências ao endeusamento que muitos espíritas fazem a médiuns diversos, por este mundo afora, que não tem a notoriedade do Chico, e até a determinadas criaturas que são lideranças de alguns centros.
Consta que o próprio Chico, nas semanas próximas à sua desencarnação em julho de 2002, chamou os seus mais próximos e pediu para que destruíssem todos os seus pertences, como roupas, bonés, chinelos e tudo o que pudesse ser utilizado como relíquia ou peça milagrosa, porque ele sabia o que fariam com as coisas dele. Iria ser um tal de dona Maria que teria o boné marron, que alguns pegariam e colocariam em cima de feridas pra curar, seu Antonio que teria o chinelo, outro que teria a caneca que ele tomava café... seria peça milagrosa pra tudo quanto é canto.
Se o tal menino que seria a reencarnação do Emmanuel fosse, por exemplo, um Rogerinho qualquer, filho da dona Creuza e seu Osvaldo, lá pelo interior de Goiás, com certeza seria tratado com São Rogério, não tenham a menor dúvida.
A cidade viraria uma nova Uberaba, Fátima ou Lourdes, a rede hoteleira cresceria porque a peregrinação seria enorme. O universo das pessoas que se tornaram “Chiquista”, o que não quer dizer que sejam necessariamente espíritas, não pensaria duas vezes. Sabe lá como seria o comportamento dos seus pais e parentes, diante de tanta notoriedade?Vocês já imaginaram o que o menino sofreria na língua daqueles intolerantes que dizem o que Emmanuel implantou o igrejismo no Espiritismo?
Acho que a melhor coisa, para o movimento espírita, seria que esta informação não nos fosse revelada, embora pareça contraditório para este escritor que luta pela liberdade total e absoluta das pessoas.Se acontecer como aconteceu no caso do André Luiz, que, consta, encarnou lá na Suíça, embora filho de uma brasileira, e já está na fase adulta sem ser incomodado, até que seria bom.
Eu prefiro ficar com os inúmeros ensinamentos que ele, Emmanuel, deixou pra gente, através do nosso Chico, sem necessidade de considerá-lo com santo, e inclusive me dando ao direito de discordar dele, como naquela questão que ele sugere que Jesus não sorria, só porque quando foi Públio Lêntulus não conseguiu ver o Mestre sorrindo.
Jamais eu vou aceitar qualquer idéia de que Jesus não sorria, assim com a de que Kardec não sorria, nesta absurda conceituação de que para alguém ser sério e digno tem que, necessariamente, ter cara fechada.
É válida a troca de idéias, sim, o que é preciso é muito cuidado com as especulações que sempre aparecem, porque daqui há pouco podem dizer que tem um Emmanuel lá na Amazônia, outro na Bahia, outro em Minas, e todos estes relatados por pessoas “fidedignas”.
Vale a pena a gente pensar nesta questão, com o indispensável equilíbrio e bom senso que a Doutrina nos sugere.
Abração a todos.
Alamar Régis Carvalho
orkut “alamarregis

Um comentário:

Sandra disse...

oi ,sou espirita e muito ja ouvi sobre este assunto,emmanuel tras gd importancia a nossa história não só como espirita ,mas como politico,lembre quem ja foi emmmanuel,na epoca de Cristo ,é um espirito de muita luz e muita influencia positiva ,Deus nos deu esse convite a evolução ,um politico honesto e q j=lutara pelo povo