31 outubro 2008

Revista Vida Espírita / Novembro - AME

ELES NÃO PARTIRAM;
Editorial: Se o assunto é morte, reflitamos sobre a vida
Amélie Gabrielle Boudet - Madame Allan Kardec
Entrevista - Conversando sobre Espiritismo
Tolerância na UEM: O jeito mineiro de unir o movimento espírita estadual expressa bem a proposta kardequiana!
Veja o que acontecerá e aconteceu
Biografia de Inácio Ferreira foi lançada em Uberaba
Chico e Você: na pátria comum de todas as almas
Dicas de Internet
Página da Alegria; CLE - clube do livro espírita da AME lIvRO dO MêS - “O ESPIRItISMO dE A a Z” Trocando Idéias - Folhe Teen Espírita Artigo - Verdadeiras virtudes não se ocultam

Clique aqui para fazer o download em PDF

27 outubro 2008

Espíritos desencarnados são os mesmos homens

Como a gente deve considerar os espíritos desencarnados?
Entre as pessoas comuns encontramos muita gente que tem “medo de defunto”, ou seja, medo de quem já morreu, o que implica que a pessoa que já se foi pode voltar, geralmente a noite, quando vem “puxar seu pé”. Por mais que tenha sido uma pessoa querida, amiga, que lhe amava, até mesmo o seu pai ou sua mãe, é muito comum as pessoas terem medo dela, pelo fato de ter morrido.
É uma crença equivocada e extremamente confusa, porque no fundo a pessoa não sabe se acredita ou não, mas no fundo tem medo.
Que sentido teria alguém, que sempre nos amou, aparecer à gente para nos prejudicar ou meter medo?
Outro aspecto que todos nós identificamos:
Toda pessoa que morre, por mais que tenha sido uma pessoa complicada e até pilantra, termina virando uma “pessoa boa”, na boca de todo o mundo.
- “Era um homem muito bom, trabalhador, amigo de todo mundo”.
Por que as pessoas sempre dizem isto?
Até bandidos, traficantes e assassinos, quando morrem, são qualificados como pessoas que eram boas.
Analisemos outras visões:
Os protestantes e o universo católico praticante acham que quando a pessoa morre, fica deitada o tempo todo no seu túmulo, esperando por um tal juízo final, quando o próprio Jesus... aquele que nos ensinou o “não julgueis”... virá aqui, com chicote na mão, exatamente para julgar todo o mundo, ou seja, todos os mortos, desde os tempos de Adão e Eva até o dia final, que é quando ocorrerá a destruição total pelo Apocalipse, que eles acreditam.
Nessa crença, Jesus levará apenas 144 mil “salvos” para viverem eternamente à direita de Deus Pai... não sei onde eles vão conseguir encontrar direita ou esquerda além da Terra... e as outras mais de vinte bilhões de pessoas serão condenadas a irem para o tal inferno, caracterizando uma esmagadora vitória do tal Satanás, sobre Deus, que não conseguiu salvar nem um milionésimo por cento dos seus filhos.
O que não dá pra entender nessa concepção é que muitas pessoas morrem e não têm corpo para ir pra nenhum túmulo, porque os tem totalmente desintegrados por fogo, explosões, devorados, etc...
Mas não é a análise que vem ao caso agora. O relevante aqui é entender que eles acreditam que está todo mundo morto e que, segundo diz Paulo aos Hebreus, ninguém que morre volta.
Então, entende-se que para a igreja católica algumas pessoas que já morreram continuam vivas, sob a denominação de santas, outorgadas pelo Vaticano.
Até o Constantino, imperador, um tremendo assassino, praticante das maiores atrocidades, é considerado santo, pela igreja.
O bom senso nos sugere que uma pessoa que era bandida, morreu sendo bandida e uma pessoa que sempre foi boa e honesta, morreu boa e honesta.
Vejamos, agora, um aspecto interessante acerca dos momentos em que as pessoas morrem:
Antigamente, quando alguém morria, os velórios e enterros eram extremamente tristes, lúgubres, extremamente baixo astral, gente de roupa preta, muita gente chorando e até choradores profissionais eram contratados (as chamadas carpideiras), para o local ficar o mais triste possível. Panos pretos nas portas das casas e todo mundo com as caras extremamente sérias, do ponto de vista da aparência.
Quando adotavam algumas músicas, eram as cafonérrimas marchas fúnebres, geralmente composições de extremo mau gosto.
Enfim, o velório era alguma coisa que traumatizava crianças e fazia muita gente ficar com a imagem da cara do defunto em sua cabeça, durante muito tempo, inclusive sem conseguir dormir direito.
Se analisarmos bem, verificaremos que houve certa evolução, por parte da sociedade, acerca da pessoa que morreu. Os velórios evoluíram.
Hoje já não encontramos mais aquela coisa horrorosa do passado. Não há mais aquela predominância da roupa preta, as pessoas sorriem e até encontramos gaiatos contando piadas e outro morrendo de rir, inclusive filhos e parentes do morto. Virou moda os presentes aplaudirem o morto e é muito comum encontrarmos pessoas cantando músicas populares, inclusive sambas e pagodes, ao lado do caixão, geralmente músicas que o morto gostava, quando em vida. A música fúnebre já caiu em desuso, há muito tempo, e nem no dia de finados a gente escuta mais esse tipo, nem nas rádios.
Vejam o detalhe deste entendimento popular: Acreditam que se a pessoa gostava de samba e de pagode, depois de morto deve continuar gostando.
Quem foi que ensinou isto para as pessoas comuns? Por acaso, elas estudam a natureza dos espíritos depois que desencarnam?
Não. A cultura comum não estuda isto e a iniciativa deve ter origem na prática do bom senso, que independe de crença religiosa ou filosófica.
Faremos agora uma análise da visão de nós espíritas, acerca de pessoas que já desencarnaram. Não posso mais usar o termo que “já morreram”.
Somos praticantes da doutrina que estuda, mais que qualquer outra, a realidade do mundo espiritual, como vivem os espíritos, de onde viemos e para onde vamos.
A nossa base de análise é “O Livro dos Espíritos” que, em seu capítulo 3, que fala do “Retorno da vida corporal à vida espiritual”, nos apresenta em sua questão 150, a pergunta de Kardec aos Espíritos:
150 – A alma, após a morte, conserva a sua individualidade?
Resposta: “Sim, ela nunca a perde. O que seria ela se não a conservasse?”

Mas ele não ficou satisfeito com essa resposta simples e, como todo homem inteligente, procurou esclarecer-se melhor, fazendo uma outra pergunta, dentro da mesma questão:

Como a alma continua a ter a sua individualidade, uma vez que não possui mais o seu corpo material?
Resposta: Ela ainda tem um fluido que lhe é próprio, tomado da atmosfera de seu planeta e que representa a aparência da sua última encarnação: seu perispírito.

Esta questão deixa claro que a pessoa, ao desencarnar, mantém a sua individualidade, ou seja, as suas características. Quem foi culto, continuará culto; quem estudou apenas o primeiro grau não vai ter conhecimento de nível universitário, só porque morreu; quem foi baixo astral, continuará sendo baixo astral; quem foi carinhoso e afetuoso com as pessoas, continuará sendo carinhoso e afetuoso; quem foi apaixonado pelo Flamengo, continuará sendo rubro negro.
Raciocinemos, já que somos praticantes de uma doutrina que propõe a racionalidade:
Que sentido tem você levar flores para o velório de uma pessoa que nunca teve qualquer afinidade com flores? Vai colocar flores no seu túmulo, pra quê?
Há pessoas, poucas, principalmente mulheres, que adoram receber flores. Estas, sim, ficariam felizes ao receberem os seus buquês de flores. Mas todo mundo gostaria?
A mesma coisa é a mania que muitos têm de acenderem velas. Pra quê?Relembremos o que ensina a doutrina: “A pessoa mantém a mesma individualidade”, ou seja, os mesmos gostos, os mesmos sentimentos, paixões, desejos, amores e inclusive ódios.
O cidadão desencarnado continuará andando por aqui, porque a doutrina nos ensina também que não existe um local determinado onde os espíritos vivem e que o mundo deles é aqui mesmo, ao nosso lado, e que influenciam em nossas vidas muito mais do que a gente supõe.
Se o elemento, que era flamenguista roxo, vive por aqui, é óbvio que ele vai querer ir ao Maracanã toda vez que o Flamengo joga, vai torcer do mesmo jeito, via ficar feliz quando o time ganha, triste quando o time perde e até xingar a mãe do juiz.
Se ele sempre gostou das músicas do Zeca Pagodinho, que tipo de música ele vai gostar de escutar? Será marcha fúnebre?
Se sempre foi uma pessoa bem humorada, sempre gostou de estar em ambientes alegres, com pessoas dando gargalhadas, falando bobagens, contando piadas, pessoa extremamente popular, você acha que ele iria gostar de vir aqui, sentar-se nas cadeiras do teatro municipal, naqueles momentos em que orquestras de câmara tocam músicas eruditas?
Escutar Bach, Bettooven, Chopin, Mozart, Tchaikovicz, etc...?Que diabo ele iria fazer lá, se nunca teve qualquer afinidade com aquele tipo de música?
Gente, quem foi advogado, ao voltar aqui vai gostar de dar uma voltinha lá pelo fórum, porque ali ele tem sintonia. Quem foi médico ou enfermeiro, vai querer dar uma voltinha pelos hospitais e quem foi traficante de drogas vai continuar nos ambientes onde se traficam drogas e por aí vai.
Observemos, então, como procedemos nós, espíritas, no intercâmbio mediúnico, que é o momento em que nós conversamos naturalmente com os espíritos e temos consciência de que eles são exatamente as mesmas pessoas que aqui viveram, conservando as suas mesmas individualidades, as suas características:
Os recebemos em ambientes escuros, ou semi-escurecidos. Todo mundo de cabeça baixa, maioria com olhos fechados, aquele silêncio, aquela coisa “séria”, caras fechadas, ninguém pode sorrir, ninguém pode brincar e... qual o tipo de música que os centros, que adotam músicas, colocam para ele? Ave Maria de Gounod, Serenata de Schubert e outras consideradas “músicas de oração”.
Uai, apesar da beleza da Ave Maria de Gounod, é esse tipo de música que lhe faz alegre e feliz?
Ainda tem aquela recomendação: Não se pode fazer qualquer tipo de pergunta aos espíritos.
Por que?
Será que toda pergunta feita aos espíritos, fora da seriedade mascarada, necessariamente é pergunta fútil?
-Ninguém deve estar indagando quem é o espírito, qual o seu nome.
Por que não? Vejamos o quanto a visão estreita dá um entendimento equivocado à instrução espírita:
A doutrina nos sugere que a identificação do espírito comunicante não é o mais relevante, que o mais importante é o conteúdo na mensagem que ele apresenta. Correto, mas isto não quer dizer que não devamos perguntar e muito menos que o perguntar seja desrespeitoso ao espírito.
Há confrades que dizem que sorrir é falta de respeito, que contatos bem humorados com espíritos é falta de respeito, que postura alegre em reunião mediúnica é falta de respeito... tudo é falta de respeito.
Que diabo de conceituação mais maluca acerca do respeito é esta que muita gente ainda tem?
Será que não estamos vivendo, em nossas reuniões mediúnicas, o mesmo baixo astral dos velórios de antigamente?
O povo leigo, que não estuda a natureza dos espíritos, evolui neste aspecto e nós espíritas não?
Eu costumo fazer palestras em centros espíritas e abordo estas questões. Geralmente a grande maioria dos freqüentadores gosta e a gente sente isto ao final da palestra, pelas manifestações. Todavia, de vez em quando, aparece uma daquelas criaturas que sempre entendem a doutrina mais do que todo mundo, pra vir com aquele tipo de reação:
- “O Alamar quer que se toque ‘na boquinha da garrafa’ nos centros espíritas”.
Sempre existe esse tipo de reação, característica daquela pessoa que diz que a gente está querendo que coloquem toalhas pretas nas mesas, quando questionamos o porquê da insistência nas toalhas de cor branca.
Na visão estreita, não existem as cores beges, azul claro, verde claro, cinza, rosa clarinho e cor nenhuma entre o branco e o preto. O extremismo é cego em relação ao meio termo.
Eu, particularmente, quando tenho a oportunidade de falar com algum espírito desencarnado, converso normalmente, descontraidamente, da mesma maneira, com as mesmas expressões e do mesmo jeito que converso com as pessoas encarnadas do centro espírita que me convidou a participar da mediúnica.
Recentemente recebi um e-mail de uma pessoa, que não sei quem é, mas com características de perturbada, profundamente irritada porque alguém havia lhe retransmitido um outro e-mail com uma matéria escrita por mim, onde eu me dirigia à Joanna de Ângelis, como “Joaninha”. Foi um Deus-nos-acuda, ela achou aquele tratamento desrespeitoso ao espírito, fez todas as repreensões que se acha no direito e mandou que eu estudasse Espiritismo.
Vejamos bem: A Joanna de Ângelis, segundo consta, não se relaciona com o Divaldo como a chefa dele, a dona dele, o rigoroso sargentão que não quer papo com o soldado e nada parecido. Ela se relaciona, há muitos anos, como uma amiga querida, afetuosa, carinhosa e também muito bem humorada, como bem humorado é ele. Quem gosta do Di, (ela ficou com raiva, também, pelo fato de eu tê-lo tratado como Di. É assim que o pessoal da Bahia o trata, carinhosamente), obviamente tem também carinho por esse benfazejo espírito. Qual o mal teria alguém o tratar de forma tão carinhosa?
Não podemos ter a pretensão de querer mudar a rotina de um movimento que, apesar de ter lido, na própria obra básica da doutrina, que a doutrina não é idéia congelada, não é idéia acabada e que deve-se evoluir conforme a ciência e as novas descobertas que atendam a coerência e não agridem a moralidade, não faz o menor esforço em rever conceitos. Mas quero exercer o meu direito de observação e sugestão para que as pessoas analisem a questão com outros olhos.
Afinal de contas, O Espiritismo é uma doutrina que tem uma característica fascinante, que encanta a todos nós: O respeito absoluto pela liberdade das criaturas, inclusive o nosso direito de questioná-lo.

Abração a todos.

Alamar Régis Carvalho
alamar@redevisao.net
http://www.redevisao.net/
http://www.alamar.biz/
http://www.redelivros.net/
orkut “alamarregis”

17 outubro 2008

A reencarnação do Emmanuel

Tenho lido, em alguns fóruns de discussão da Internet, abordagens acerca de uma possível reencarnação do Emmanuel, aquele espírito que foi o principal orientador do nosso Chico Xavier. Afinal de contas, o Emmanuel está reencarnado? Está reencarnando? Qual a relevância para o movimento espírita saber se está ou não e onde ele estaria?
Eu acho muito saudável quando os espíritas se reúnem para discutir os diversos assuntos que fazem parte do nosso dia-a-dia, as coisas consideradas transcendentais, as do espírito e até aquelas que estão além da nossa capacidade de entendimento total e absoluto. Não consigo ver motivos para alguém ser contra isto, já que somos doutrina de questionamentos e questionar é requisito da criatura inteligente. Felizmente o Espiritismo não é doutrina do “porque sim” e nem do “porque não”.
Quando Kardec levava aos Espíritos as questões que foram dispostas em “O Livro dos Espíritos”, nós observamos que muitas delas não têm apenas uma pergunta e uma resposta, já que quando ele percebia que as respostas deles não estavam completas, ou não o satisfaziam, ele fazia outras, na mesma questão. Daí a importância de sabermos separar o que são Questões de “O Livro dos Espíritos”, (1018) e Perguntas do mesmo livro, que são bem mais.
O detalhe a observar aqui, que também caracteriza a excelência da nossa doutrina, é que em momento algum os Espíritos responderam a Kardec qualquer coisa do tipo “porque sim”, “porque tem que ser assim”, “isto não é pergunta que se faça” etc... Muito pelo contrário, eles sempre ficaram a vontade e deixaram o codificador, também, à vontade.
Na questão, por exemplo, quando foi perguntado qual o maior Modelo e Guia que nós teríamos para seguir, eles responderam “Vide Jesus”. Só isto e mais nada. Mas não quer dizer que o Kardec não pudesse fazer outras perguntas, do tipo: “Mas, o que vocês acham de Buda? E outros Avatares? Além de Jesus, vocês recomendariam outros modelos?”.
Kardec poderia, sim, ter perguntado algo mais ou menos assim e os Espíritos, com certeza, responderiam e não se aborreceriam por causa disto.
Isto nos remete a entender que o Espiritismo, de fato, não nos limita a coisa nenhuma, não nos restringe a questionar nada, deixa-nos a vontade para perguntar, duvidar e até não aceitar. É uma doutrina que não admite qualquer espécie de censura.
Se as limitações e restrições existem, são de responsabilidade de pessoas e não da doutrina.
Ta bom. E a tal reencarnação do Emmanuel, o que tem a ver com isto? É aceitável discutir esta questão?
A doutrina nos responde que sim. É mais ou menos como a questão da identificação de espíritos, que se comunicam conosco: Perguntar o nome de um espírito que está se comunicando e procurar saber quem ele foi, quando encarnado, não é relevante, porque o importante é o conteúdo da mensagem que ele nos apresenta; mas isto não quer dizer que seja proibido e que não devamos perguntar nunca.
Vejo como absolutamente natural a curiosidade de muitos espíritas em procurarem saber se o Emmanuel já está encarnado e onde ele está, posto que foi anunciado que ele reencarnaria.
Não é uma curiosidade minha que, sinceramente, não vejo lá essas importâncias, mas não é por causa disto que devo eu jogar duro com quem queira saber e até tratar as pessoas da forma como alguns companheiros tratam na troca de escritos dos fóruns, no orkut e em outros meios de trocas de idéias. As pessoas têm direito, sim, a essa curiosidade.
Só que eu não acredito que a Espiritualidade vá revelar, assim, com toda essa facilidade, o nome do “menino” que hoje estaria animado pelo admirável espírito, quem são os seus pais, se são espíritas ou não, se ele está no Brasil ou em outro país, se está no interior do Ceará ou numa cidadezinha próxima à Uberaba, enfim, não creio, por razões óbvias.
Não é que a Espiritualidade quisesse simplesmente negar por negar às pessoas esse direito de saber; é que ela, com toda a sabedoria, entende muito bem das conseqüências disto.
Você já imaginou o que fariam muitas pessoas, se tivessem certeza de quem seria esse menino e onde estaria ele, um espírito que conviveu na época de Jesus e que foi quem foi?
Imaginem o impacto de sabermos estar encarnado um espírito do nível de Emmanuel.
Eu não quero nem fazer referências à peregrinação sacrificante que muitos faziam para se deslocarem de cidades distantes até Uberaba para verem de perto o Chico Xavier, o que em muitos casos se registraram exageros, excessos e fanatismos, quero fazer referências ao endeusamento que muitos espíritas fazem a médiuns diversos, por este mundo afora, que não tem a notoriedade do Chico, e até a determinadas criaturas que são lideranças de alguns centros.
Consta que o próprio Chico, nas semanas próximas à sua desencarnação em julho de 2002, chamou os seus mais próximos e pediu para que destruíssem todos os seus pertences, como roupas, bonés, chinelos e tudo o que pudesse ser utilizado como relíquia ou peça milagrosa, porque ele sabia o que fariam com as coisas dele. Iria ser um tal de dona Maria que teria o boné marron, que alguns pegariam e colocariam em cima de feridas pra curar, seu Antonio que teria o chinelo, outro que teria a caneca que ele tomava café... seria peça milagrosa pra tudo quanto é canto.
Se o tal menino que seria a reencarnação do Emmanuel fosse, por exemplo, um Rogerinho qualquer, filho da dona Creuza e seu Osvaldo, lá pelo interior de Goiás, com certeza seria tratado com São Rogério, não tenham a menor dúvida.
A cidade viraria uma nova Uberaba, Fátima ou Lourdes, a rede hoteleira cresceria porque a peregrinação seria enorme. O universo das pessoas que se tornaram “Chiquista”, o que não quer dizer que sejam necessariamente espíritas, não pensaria duas vezes. Sabe lá como seria o comportamento dos seus pais e parentes, diante de tanta notoriedade?Vocês já imaginaram o que o menino sofreria na língua daqueles intolerantes que dizem o que Emmanuel implantou o igrejismo no Espiritismo?
Acho que a melhor coisa, para o movimento espírita, seria que esta informação não nos fosse revelada, embora pareça contraditório para este escritor que luta pela liberdade total e absoluta das pessoas.Se acontecer como aconteceu no caso do André Luiz, que, consta, encarnou lá na Suíça, embora filho de uma brasileira, e já está na fase adulta sem ser incomodado, até que seria bom.
Eu prefiro ficar com os inúmeros ensinamentos que ele, Emmanuel, deixou pra gente, através do nosso Chico, sem necessidade de considerá-lo com santo, e inclusive me dando ao direito de discordar dele, como naquela questão que ele sugere que Jesus não sorria, só porque quando foi Públio Lêntulus não conseguiu ver o Mestre sorrindo.
Jamais eu vou aceitar qualquer idéia de que Jesus não sorria, assim com a de que Kardec não sorria, nesta absurda conceituação de que para alguém ser sério e digno tem que, necessariamente, ter cara fechada.
É válida a troca de idéias, sim, o que é preciso é muito cuidado com as especulações que sempre aparecem, porque daqui há pouco podem dizer que tem um Emmanuel lá na Amazônia, outro na Bahia, outro em Minas, e todos estes relatados por pessoas “fidedignas”.
Vale a pena a gente pensar nesta questão, com o indispensável equilíbrio e bom senso que a Doutrina nos sugere.
Abração a todos.
Alamar Régis Carvalho
orkut “alamarregis

15 outubro 2008

Campanha Pró- Divaldo Franco

Amigos, a Revista Época está elaborando uma edição especial para o fim do ano, abaixo o texto no site da revista:

No fim do ano, ÉPOCA lançará a segunda edição especial com os 100 brasileiros que mais se destacaram em 2008 pelo poder, pelo talento ou pelo exemplo moral. A lista será elaborada pela redação, com base nas sugestões de leitores e de personalidades influentes. (texto da revista) Conversando com alguns amigos, entre eles, Alkíndar de Oliveira, Bruno Rodrigues, Alámar Régis de Carvalho e Luís Eduardo Girão (produtor do filme sobre Bezerra de Menezes), chegou-se ao concenso de que precisamos ter entre essas 100 pessoas um nome espírita, e nada melhor do que Divaldo Franco, em especial pelo trabalho que ele desenvolve pela PAZ no Brasil e no Mundo. Então, iniciemos assim esta campanha, em prol da indicação de Divaldo Franco. O objetivo não é exaltar o médium, mas é que em uma edição tão importante como essa da ÉPOCA, conste um nome espírita, no caso, um exemplo moral. Para votar clique AQUI.

03 outubro 2008

Crítica a Revista Veja sobre oi filme Bezerra de Menezes.

Amigos, bom dia!
Gostariamos de aproveitar a oportunidade e publicar a carta do nosso amigo Alamar Régis,enviada à revista VEJA, rebatendo as críticas feitas ao filme Bezerra de Menezes. Se quiserem ler a revista CLIQUE AQUI para fazer o download. Abaixo está carta enviada por Alamar.

Santos, SP, 21 de setembro de 2008.

De: Alamar Régis Carvalho - Assinante

Para: Revista VEJA – Editora Abril

Referência: Matéria "Sessão Espírita"

Senhores Editores:

Depois de ler a matéria em questão, eu comecei a ficar preocupado com a revista, essa que é a mais importante do nosso país, com tiragem semanal de mais de um milhão de exemplares, sendo lida na semana lançada por uma média de 3 a 4 pessoas, por exemplar, e nas semanas seguintes por uma média de 8 a 10 pessoas, já que está presente em quase todas as salas de espera de consultórios, escritórios, etc... (é a informação que me passaram). Quantos e quantos milhões de brasileiros lêem a VEJA.Pelo que o Brasil inteiro sabe, a VEJA procura preservar a sua independência, se coloca em posição apartidária, dispõe-se a expor os maiores escândalos verificados no País, sem temer até mesmo os poderosos envolvidos nas maiores safadezas praticadas no Brasil. Isto é bom demais, porque nos dá uma tranqüilidade de sabermos que temos uma imprensa livre e, sobretudo, responsável.Encontramos em suas páginas um Diogo Mainard, mantendo a sua posição contra o Lula, independentemente dos números de popularidade que o presidente apresenta, o que denota uma certa coerência porque o jornalista não é um "vira casaca". O Diogo continua sendo ele mesmo.Encontramos também um notável Stephan Canitz, um dos maiores colunistas que conheço no Brasil, pela sua notável coerência e bom senso.Enfim, senhores editores, creio que a preocupação maior de uma revista desse porte deva ser com a preservação do seu nome, construído no País por mais de 30 anos, para que o conceito junto a opinião pública continue elevado e a credibilidade permaneça em alta.O que o leitor imagina é que a VEJA, pelo prestígio que tem e pela dimensão da Editora Abril, deve ter um critério muito rigoroso quanto a seleção de jornalistas, articulistas, enfim, todos os que escrevem em suas páginas, para que, embora o direito de opinião e expressão sejam livres entre os jornalistas, assim como entre os cidadão comuns, é recomendável o cuidado para que não deixem poluir as suas páginas com matérias escritas por pessoas despreparadas, mal informadas e sobretudo tendenciosas, a fim de que essa valiosa credibilidade não seja afetada.Relembrando o notável escritor Richard Simonetti, que há dez anos atrás escreveu uma carta a essa mesma VEJA, protestando contra uma outra matéria equivocada, onde ele dizia algo mais ou menos assim:- "Se diante de uma matéria, envolvendo um assunto que eu conheço profundamente, identifico um festival de aleivosias, equívocos, mentiras e bobagens, que caracterizam absoluto desconhecimento por parte de quem escreveu, como é que eu, como assinante dessa revista, posso dar credibilidade a ela quando diante de matérias sobre assuntos que eu não conheço?"Novamente identificamos uma falha lamentável da VEJA, nesta matéria escrita por Marcelo Marthe, que termina por comprometer o respeitável nome da VEJA. Quanta bobagem esse cidadão colocou na matéria.

Não é que queiramos, como espírita que somos, elogios ao filme "Bezerra de Menezes...", porque reconhecemos que, de fato, não foi lá essas super produções, está muito longe, em qualidade cinematográfica, dos grandes filmes produzidos em Hollywood e até mesmo aqui no Brasil e, também, o bom senso nos recomenda compreender a posição do crítico cinematográfico, embora muitos deles estejam acostumados a qualificarem como verdadeiras "porcarias" algumas películas, ao mesmo tempo em que o público dá uma resposta totalmente diferente, lotando por meses e meses as salas de projeções onde as tais "porcarias" são exibidas. Assim foi com o filme "Ghost, o outro lado da vida" e vários outros. Acontece que a postura do autor da matéria não se resumiu a fazer análises do filme, em si, enquanto filme, e partiu para o deboche, para falar sobre o que não entende, sujando as páginas da nossa maior revista com um verdadeiro festival de bobagens, em alguns momentos, o que é lamentável. Registremo-las.

O nome correto desta "coisa" que ele insiste em chamar de "kardecismo" é "Espiritismo", denominação que foi criada, exclusivamente, para identificar esta doutrina filosófica, que tem postulados muito bem definidos e não pode ser confundido por nenhuma outra prática. Espiritismo é Espiritismo, assim como Umbanda é Umbanda e Catolicismo é Catolicismo. O outro equívoco verificado logo no mesmo subtítulo, é quando ele identifica Bezerra de Menezes como "pioneiro do kardecismo no Brasil", o que não se constitui como verdade, haja vista que o primeiro centro espírita fundado no Brasil foi na cidade de Salvador, Bahia, em 1865, por Luiz Olympio Telles de Menezes, jornalista, e não por Bezerra de Menezes. Outro equívoco é cometido quando o autor faz referências a "fantasmas" baixados em set de filmagem, o que também não existe em termos de Espiritismo, onde não se vê qualquer relação com fantasmas, ninguém faz qualquer referências a fantasmas, e muito menos nada que anda "baixando" em lugar nenhum. É bom que o cidadão saiba também que, em Espiritismo, não se pratica absolutamente nada sobrenatural. Tudo o que se pratica é absolutamente natural, embora sobre o nível de capacidade de compreensão e entendimento de muita gente. Não é porque a Trigonometria não pode ser entendida e compreendida por alunos que cursam apenas a quarta série do primeiro grau, que ela é considerada sobrenatural. Ele tenta, visivelmente, diminuir o Espiritismo, ao citar que o interesse pelo filme resume-se apenas a espectadores dos níveis C e D, pelo fato de haver procura também nos dias de segunda à quarta-feira, quando o ingresso é mais barato. Daí eu o sugiro a checar os bancos de dados da própria Editora Abril a fim de checar, entre os assinantes da própria VEJA, qual é o segmento filosófico/religioso que, proporcionalmente, é maior. Tudo indica que vocês verão a comprovação disto no número de e-mails que certamente serão enviados, por causa desta mesma matéria. Ou será que o segmento brasileiro que recebe o "bolsa-família" tem condições de comprar ou assinar a VEJA? Quanto a citação "Nem toda comunidade espírita ficou satisfeita com o filme", eu pergunto: E daí? E teria que ter a unanimidade de aprovação de uma comunidade inteira? Qual o filme, em toda a história do cinema, que tenha agradado a cem por cento dos espectadores? Vê-se aí um certo desdém do autor em relação ao filme, que se firma mais quando ele qualifica o ator Caio Blat como "galãzinho", ator este sempre presente atualmente nas novelas da Globo, em papéis de destaque e não como simples figurante ou interprete de papéis inexpressivos. É verdade, sim, que no filme tem, também, atores desconhecidos e que até talvez não estariam em nível de estarem em um filme com este propósito, contracenando com um notável e extraordinário Carlos Vereza, mas daí a qualificar como "assombro", já é uma má vontade imensurável. O Lúcio Mauro não é apenas um comediante, é também um ator, sim, com presença em papéis de destaque em vários momentos da própria Rede Globo, nesta condição.

Outros detalhes precisam ser observados: Primeiro que o francês Allan Kardec não fundou crença nenhuma e nem o próprio Espiritismo, se é a ele que o autor quer se referir, jocosamente, não foi fundado por ele que nada mais foi que o seu codificador, um educador, mestre (e não um religioso) que foi convidado por espíritos para lhes formular as perguntas que quisesse, com todo rigor e sem qualquer aprisionamento religioso, para daí passar para livros e apresentar às pessoas. Segundo, que apenas alguns espíritas utilizam-se dessa expressão "Kardec Brasileiro", em relação ao Bezerra de Menezes, e não os seus admiradores.

Ao encerrar, vejamos mais este trecho da matéria:"Para os espíritas, ele foi a reencarnação de um espírito evoluído dos tempos bíblicos. Há quem jure que, numa sessão mediúnica nos anos 60, o fantasma do escritor russo Leon Tolstoi tenha revelado que em outra vida Bezerra foi Zaqueu, cobrador de impostos que se tornou seguidor de Jesus, conforme o Evangelho de São Lucas. Para outros, ele teria sido o próprio Lucas." Quanta bobagem. Os espíritas não andam se preocupando em quem foi reencarnação de quem, e nunca vi ninguém se referir a Bezerra com esta identificação. Afirmar, também, que há quem jure, numa sessão mediúnica... é outra besteira sem tamanho, posto que espíritas não andam jurando coisa nenhuma, ainda mais em reuniões mediúnicas, que são práticas totalmente diferentes do que possam imaginar alguns jornalistas.Em síntese, a disposição e a dignidade da VEJA em registrar esta realidade do cinema brasileiro, mesmo sem ser uma grande produção, é algo notável e traduz-se como jornalismo sério, mesmo em se considerando críticas desfavoráveis ao filme, enquanto filme. O único aspecto reprovável é que, em vez do articulista se ater a analisar o filme, mesmo dentro do seu gosto pessoal, ele se aproveitou da força da revista para colocar impressões pessoais acerca da doutrina em si, o que é reprovável, já que o objetivo da matéria não foi de falar sobre a doutrina. Foi aí que ele se perdeu, pelo despreparo e a inconseqüência em falar tanta bobagem, pelas páginas de uma revista, que tem um papel histórico no Brasil.

Abração.

Alamar Régis Carvalho

Analista de Sistemas e Escritor (talvez mambembe)

alamar@redevisao.net